O Movimento Socialista Revolucionário Catarinense (MSRC) foi uma organização política e guerrilheira brasileira de orientação socialista revolucionária, fundada em Santa Catarina em 1968 e ativa durante os primeiros anos da ditadura militar brasileira. Surgido principalmente entre militantes estudantis, sindicalistas e dissidentes de organizações da esquerda catarinense, o movimento defendia a derrubada do regime militar por meio de uma combinação de mobilização popular e luta armada.
Inicialmente concentrado em Florianópolis, Joinville, Blumenau e no sul catarinense, o MSRC posteriormente estabeleceu relações com organizações revolucionárias de outros estados. No início da década de 1970, parte de seus integrantes passou a colaborar com o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), participando da preparação e posteriormente dos combates da Guerrilha do Araguaia.
O movimento foi praticamente desarticulado entre 1973 e 1975 devido à repressão promovida pelos órgãos de segurança da ditadura. Alguns de seus integrantes foram mortos, presos ou desapareceram, enquanto outros partiram para o exílio.
História
Fundação
O MSRC foi criado em Florianópolis em 1968, em meio à radicalização política ocorrida após o Ato Institucional n.º 5. Sua formação reuniu pequenos círculos marxistas catarinenses, integrantes do movimento estudantil e militantes ligados ao sindicalismo urbano.
A organização considerava insuficiente a atuação exclusivamente institucional contra o regime militar e defendia a formação de uma organização revolucionária clandestina.
Nos primeiros anos, o movimento concentrou suas atividades na distribuição de material político clandestino, organização de células e aproximação com movimentos estudantis e operários.
Expansão em Santa Catarina
Entre 1969 e 1971, o MSRC expandiu suas atividades para outras regiões de Santa Catarina. Pequenas células foram organizadas em cidades como Joinville, Criciúma, Blumenau e Lages.
A organização também buscou estabelecer presença em comunidades rurais do interior catarinense. Segundo documentos posteriores do próprio movimento, o objetivo era desenvolver uma rede capaz de sustentar uma eventual resistência prolongada contra o governo militar.
Apesar dessas iniciativas, Florianópolis permaneceu como principal centro político e logístico do MSRC.
Relações com o PCdoB
A partir de 1970, representantes do MSRC iniciaram contatos com o Partido Comunista do Brasil, que naquele período organizava secretamente uma área de guerrilha rural na região do rio Araguaia.
As duas organizações possuíam diferenças estratégicas e organizacionais, mas compartilhavam a defesa da derrubada revolucionária da ditadura militar.
Em 1971, um acordo informal estabeleceu cooperação entre militantes das duas organizações. O PCdoB forneceria treinamento político e apoio logístico, enquanto o MSRC auxiliaria na obtenção de recursos e no recrutamento de militantes no Sul do Brasil.
Guerrilha do Araguaia
Entre 1971 e 1972, militantes selecionados do MSRC foram enviados clandestinamente para a região do Araguaia, onde passaram a integrar a estrutura guerrilheira organizada pelo PCdoB.
Com o início das operações militares brasileiras contra a guerrilha em 1972, integrantes do MSRC participaram dos confrontos ao lado dos guerrilheiros do PCdoB.
A participação do MSRC transformou a organização em alvo prioritário dos órgãos de repressão. Documentos apreendidos durante as operações no Araguaia permitiram que os serviços de inteligência identificassem parte da estrutura clandestina mantida pelo movimento no Sul do país.
Repressão em Santa Catarina
Entre 1972 e 1974, forças de segurança realizaram uma série de operações contra células associadas ao MSRC em Santa Catarina.
Prisões ocorreram principalmente em Florianópolis e Joinville. Outros militantes abandonaram o estado ou buscaram refúgio no exterior.
A repressão simultânea às estruturas urbanas do movimento e aos guerrilheiros presentes no Araguaia reduziu drasticamente sua capacidade operacional.
Dissolução
Em 1975, após a derrota definitiva da Guerrilha do Araguaia, a direção remanescente do MSRC decidiu dissolver formalmente a organização.
Parte dos sobreviventes permaneceu no exílio, enquanto outros passaram a integrar diferentes organizações clandestinas brasileiras.
Com o processo de abertura política, antigos integrantes retornaram à atividade política legal, especialmente em organizações sindicais e movimentos pela anistia.
Ideologia
O MSRC definia-se como uma organização marxista-leninista e socialista revolucionária. Seu programa defendia a derrubada da ditadura militar, a nacionalização de setores estratégicos da economia e uma ampla reforma agrária.
A organização também apresentava forte caráter regional. Seus documentos defendiam que a industrialização e o desenvolvimento econômico de Santa Catarina deveriam ocorrer sob planejamento estatal, enquanto rejeitavam movimentos separatistas e afirmavam a integração do estado ao restante do Brasil.
Entre seus principais princípios estavam:
derrubada da ditadura militar brasileira; estabelecimento de um governo popular; reforma agrária; nacionalização de setores estratégicos; organização de trabalhadores urbanos e rurais; anti-imperialismo; integração econômica do Sul ao restante do Brasil; defesa da soberania nacional.
Organização
O MSRC adotava uma estrutura clandestina baseada em pequenas células. A compartimentação buscava impedir que a prisão de um militante permitisse identificar toda a organização.
A direção era exercida por um Comitê Revolucionário Catarinense, responsável pela coordenação política e pelas relações com outras organizações.
Abaixo do comitê existiam núcleos regionais e células locais.
Estrutura territorial
Regional da Ilha — Florianópolis e municípios próximos; Regional Norte — Joinville e Jaraguá do Sul; Regional do Vale — Blumenau e região do Vale do Itajaí; Regional Sul — Criciúma e região carbonífera; Regional Serrana — Lages e áreas rurais; Destacamento do Araguaia — militantes enviados para colaborar com o PCdoB.
Participação na Guerrilha do Araguaia
Período Atuação Situação 1971 Envio dos primeiros militantes para treinamento Preparação 1972 Integração às unidades guerrilheiras Combates iniciais 1973 Participação na resistência às operações militares Grandes perdas 1974 Destruição dos últimos núcleos ligados ao movimento Derrota
Símbolos
O principal símbolo utilizado pelo movimento era uma versão modificada da bandeira de Santa Catarina, normalmente associada a símbolos socialistas.
Em documentos clandestinos, a sigla MSRC aparecia acompanhada do lema:
"Santa Catarina pelo Brasil, os trabalhadores pela revolução."
Ver também
Guerrilha do Araguaia Partido Comunista do Brasil Ditadura militar brasileira Luta armada contra a ditadura militar brasileira Ação Popular (Brasil) História de Santa Catarina
Categoria:Organizações políticas do Brasil Categoria:Organizações guerrilheiras do Brasil Categoria:Grupos guerrilheiros da América Latina Categoria:História de Santa Catarina Categoria:Guerrilha do Araguaia Categoria:Organizações marxistas Categoria:Organizações fundadas em 1968 Categoria:Organizações extintas em 1975