Coari (AFI: [koa'ri]) é um município brasileiro no interior do estado do Amazonas, Região Norte do país. Com uma população estimada de 73.576 habitantes em 2025, sendo o 6º mais populoso do estado.
Situada no centro da floresta amazônica, à margem esquerda do rio Solimões entre o Lago de Coari e o Lago do Mamiá, a cidade é conhecida como a Rainha do Solimões e mais recente apelidada de "Terra do Gás", pela localização da Província Petrolífera de Urucu.
A origem de Coari está ligada aos primeiros povos ancestrais que viviam na região como os Jurimagua, Kambeba, Catuxy, Uaupé, Juma, Irijus, antes da chegada dos Portugueses e Espanhóis. Em 1759 a aldeia é elevada a lugar com nome português de Lugar de Alvellos. Em 1874 o lugar foi elevada à vila (Vila de Coary), no mesmo ano é criado o município de Coari com a instalação da sede da cidade.
Etimologia O nome Coari também está ligado às raízes indígenas e há duas versões: das palavras indígenas "Coaya Cory", ou "Huary-yu", significa respectivamente "rio do ouro" e "rio dos deuses".
História
Primeiros povos e colonização europeia Antes da chegada dos colonizadores, a região de Coari era habitada pelos povos nativos, com destaque aos povos Omaguas, Jurimauas, Catauixis, Jumas e outros. Os Jesuítas juntavam as diversas tribos indígenas e fundavam as aldeias, em destaque pela liderança do padre jesuíta Samuel Fritz. A partir do ajuntamento da aldeia, formou-se o primeiro núcleo de povoamento na região, estabelecido por Fritz e batizada de Alvelos o primeiro núcleo de povoamento de Coari, no final do Século XVII. No final do século XIX houve a mudança da sede do município para o atual local junto a foz do lago de Coari ou Coari-Grande e o antigo lugar da “Freguesia velha” foi definitivamente abandonado. Após conflitos e seus desdobramentos pela determinação de Portugal em ocupar as áreas outrora pertencentes à Espanha. A configuração do domínio português nesta região do vale do Solimões, onde localiza-se o município de Coari, deveu-se em grande parte à expansão das missões Carmelitas. Em 1703, já eram 30 missões Carmelitas. Das missões Carmelitas no Solimões, nasceram Santana de Coary (atual Coari), Santa Theresa de Teffé (Tefé) e São Paulo dos Cambebas (São Paulo de Olivença).
O povoamento recebe o nome de Coari, por estar situado às margens da foz do rio Coari. A denominação recebida pelo rio e ao lago que banha a sede municipal, foi estendida a denominação também ao município, posteriormente. O povoado de Coary foi elevada a Lugar apenas em 1759, quando recebeu o nome de Freguesia de Alvelos, nome este de origem portuguesa. O povoado estava localizado na região onde hoje situa-se a praia da Freguesia e desapareceu por completo poucos anos depois. Por virtude da Lei nº 37, de 30 de setembro de 1854, a sede da freguesia foi transferida para a foz do lago de Coari. Vinte anos após a mudança da sede, a mesma foi elevada à Vila pela Lei nº 287, de 1 de maio de 1874. A vila recebeu o nome de Coary, sendo que sua instalação ocorreu em dezembro do mesmo ano. Em 15 de novembro de 1890, o termo judiciário de Coari foi instalado. Pelo decreto 95-A, de 10 de abril de 1891, foi criada a Comarca da vila, que recebeu sua instalação definitiva em 30 de junho do mesmo ano. Entretanto, a Comarca coariense foi extinta em 1913, tendo seu termo subordinado à comarca de Tefé, município vizinho.
A Comarca de Coari foi novamente instalada três anos depois, em 1916, em virtude da Lei n° 844, de 14 de fevereiro daquele ano. No entanto, mais uma vez a Comarca foi suprimida, por força da Lei n° 133, de 7 de fevereiro de 1922. A comarca foi restaurada, outra vez, através da Lei n° 122, de 10 de março de 1924, não sendo mais suprimida. esquerda|miniaturadaimagem|296x296px|Catedral de Sant'Ana padroeira de Coari, construída em 1910 em estilo arquitetônico espanhol.
Fundação de Coari A fundação deu início com a elevação à vila pela Lei nº 287 em 1º de maio de 1874. A vila recebeu o nome de Vila de Coary. A emancipação ocorreu em 21 de maio de 1874, pela Lei Provincial n.º 287, é criado o município de Coari, (desmembrado do município de Tefé); fazendo desta data histórica de emancipação o início de criação de Coari. A instalação oficial da sede da cidade ocorreu em 2 de dezembro de 1874. E por alguma razão teórica denominou-se 2 de agosto de 1932, da instalação da sede pelo Ato Estadual n° 1.665, de 2 de agosto do mesmo ano, convencionou-se a usar como aniversário da cidade, e não a data de emancipação municipal. O município de Coari possuía uma Comarca e os seus 05 distritos: A vila de Coary, o distrito do Barro Alto, distrito de Camará, distrito de Itapéua e distrito de Piorini. A população no final da primeira década do século XX era de 11.000 mil habitantes e 295 eleitores. Foi eleito o primeiro prefeito do município, Dorval dos Santos Melo, e para vereadores Raimundo de Freitas Dantas, Sebastião Rodrigues do Nascimento, Luiz Freitas de Moraes, Maria Ferreira de Souza, João Nogueira de Araújo e João Soares da Fonseca. Nesta eleição votaram eleitores.
Geografia Coari localiza-se na margem esquerda do Rio Solimões com uma área de 57.921,646 km² e densidade demográfica de 1,5 habitantes por km², sendo o oitavo maior município do estado em área territorial. Situado no centro da maior floresta tropical do mundo, o município está localizado bem ao centro do estado do Amazonas na Região Geográfica Imediata de Coari, composta de 4 municípios e pertence à região geográfica intermediária de Manaus. A cidade de Coari é pólo da microrregião de Coari e incluída na mesorregião do Centro Amazonense, onde de acordo com coordenadas, em Coari está o centro geodésico do estado do Amazonas. Limita-se com os municípios de Codajás, Tefé, Maraã, Anori e Tapauá.
A cidade de Coari está mais precisamente localizada à margem esquerda do rio Solimões entre o Lago de Coari e o Lago do Mamiá. Ao redor da cidade são encontrados igarapés, Ilhas, praias e áreas ecológicas, com destaque para o parque ecológico das Barreiras (uma região de terra firme alta, com a presença de solo argiloso e propício a pescas esportivas), o Encontro das Águas de Coari, formado pelas águas do rio Solimões e pelo lago de Coari, além do próprio Lago de Coari, famoso cartão-postal natural da cidade. O Rio Coari é o principal curso d’água com 570 quilômetros de extensão, nele encontra-se os principais balneários da cidade. O rio Urucú é também um dos importantes afluentes do rio Coari, é nele onde localiza-se o pólo petrolífero de Urucu.
A vegetação da cidade é densa, tipicamente coberta pela floresta amazônica. Com uma flora diversificada e árvores de origem amazônica, como a seringueira, andirobeira e samaúmeira, podem ser observadas mesmo aos arredores do centro urbano. Répteis como tartarugas e tracajás também são comuns no habitat natural, assim como toda a fauna da floresta presente na Amazônia também se encontra inserido na cidade. Nas áreas rurais do município, há maior número de espécies de plantas, pássaros, anfíbios e insetos.
Clima O clima de Coari é considerado tropical equatorial (tipo Am segundo Köppen), quente e úmido, com temperatura média compensada anual de 26,8 °C e umidade do ar relativamente (URA) elevada com média anual 82% (ideal 60% de umidade, segundo a Organização Mundial de Saúde - OMS), com índice pluviométrico em torno de 2 357 milímetros (mm) anuais. As estações do ano são relativamente bem definidas: o verão é muito chuvoso e o inverno relativamente muito calor.
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1969 a 2016, a menor temperatura registrada em Coari foi de em 18 de julho de 1975, e a maior atingiu em 27 de setembro de 2015. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de milímetros (mm) em 16 de fevereiro de 2012. Janeiro de 2012, com , foi o mês de maior precipitação.
Coari possui em média ao ano:
Duração da luz do sol: 1.448 h/ano Nascer do sol: 05:48 Pôr do sol: 18:06 Duração do dia: 12h 18min Meio-dia solar: 11:57
Demografia
De acordo com o novo Censo 2022 promovido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de Coari era de 70.496 habitantes, sendo o 6º município amazonense mais populoso e apresentando uma densidade populacional de 1,22 habitantes por km². Média de 4,01 moradores por domicílio. São 35.883 homens (50,8%) e 34.733 mulheres (49,2%). A razão de sexo é 103,3 homens a cada 100 mulheres. A idade mediana do coariense é 24 anos e o índice de envelhecimento é 25,5 pessoas com 60+ anos para cada 100 com até 14 anos.
A maior parte da população de Coari é residente na zona urbana, o que representa 75% da população, população rural (25%). A população de todo o município representa 2,39% da população do estado.
Outro setor que também cresceu muito acima da média foi a urbanização, que registrou 8,02% de crescimento em 10 anos, passando de 54,5% para 58,8%, com urbanização adequada de bueiro, pavimentação e meio-fio. Apresenta 38% de domicílios com esgotamento sanitário adequado, 69.4% de domicílios urbanos em vias públicas com arborização.
Composição étnica e migração O percentual da população coariense por grupo étnico-racial tem na sua formação histórica o resultado da miscigenação dos três grupos étnicos básicos que compõem a população brasileira: o indígena, o europeu (portugueses e espanhóis) e o negro, formando, assim, os mestiços da região (caboclos). Mais tarde outros pequenos grupos de imigrantes marcaram presença, como árabes e japoneses. Entre migrantes de outros estados destacam-se os grupos advindos do nordeste no começo do século XIX, em especial cearenses e paraibanos.
Composição étnico-racial, Censo 2022
Pardos ou mestiços (75,4%), Brancos (12,4%); Indígenas (6,1%); Pretos (5,8%); Amarelos (0,12%) A atual composição de migrantes internos e estrangeiros, destacam-se os grupos oriundos dos estados do norte (0,52%) e nordeste (0,43%), como paraenses e maranhenses; e 0,35% de grupos estrangeiros.
Composição dos migrantes por lugar de nascimento
Pará: 147 paraenses (0,20%); Rondônia: 99 (0,15%); Maranhão: 80 (0,12%); Piauí: 78 (0,11%); Ceará: 75 (0,10%); Acre: 62 (0,08%); Paraiba: 48 (0,07%); Amapá: 40 (0,05%); Pernambuco: 16 (0,02%); Roraima: 16 (0,02%); Outros: 24 (0,03%).
Evolução do crescimento populacional Entre os anos de 1970 a 1980, houve uma variação de crescimento demográfico anual de 54,1%, de 1980 a 1990 foi observado um decréscimo de -9,22%, de 1990 a 2000 o crescimento demográfico anual em Coari foi de 73,4%, o maior registrado. Entre 2000 a 2010, o Censo de 2010 registrou um crescimento menor, de 13,2%. O atual Censo de 2022 registrou uma população de 70.616 habitantes; um decréscimo de -7,04%. A nova revisão do Censo de 2022 registrou uma população estimada em 73.820, em 2024.
O crescimento populacional de Coari a longo prazo foi de 155,5%, de 1970 a 2022, apresentando um crescimento populacional muito superior a média nacional brasileira (118%), registrada no mesmo período. +Crescimento populacionalCensoPop.197027 707198042 612199038 772200067 096201075 965202270 616202473 820 proj.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal registrado em Coari é de 0,586 o que é considerado baixo pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) de 2010, ocupando a 21ª posição na questão do IDH.
Na década de 1990 foi registrado um IDH de 0,312 (muito baixo) em 1991, após uma década em 2000 o índice teve leve crescimento 0,389, em 2010 foi observado um incremento de mais 0,197 elevando o índice para 0,586, ainda assim considerado baixo. Para 2021 com base na média de crescimento de 2000 a 2010 o índice está projetado para 0,783 considerado "alto".
A taxa de mortalidade infantil média na cidade é de 19,5 para 1.000 nascidos vivos. O índice de GINI é 0,62 e mede a desigualdade econômica. O indicador varia de 0 (perfeita igualdade) a 1 (desigualdade).