Moonraker é um romance de espionagem escrito pelo autor britânico Ian Fleming e o terceiro livro da série James Bond. A história acompanha o agente secreto britânico James Bond enquanto tenta parar o industrialista Hugo Drax, um ex-nazista que passou a trabalhar para a União Soviética e que planeja lançar um foguete com uma ogiva nuclear diretamente contra Londres.

Fleming escreveu Moonraker durante os primeiros meses de 1954 em sua propriedade Goldeneye na Jamaica. A ideia original do enredo veio de um roteiro de cinema que Fleming concebeu e que originalmente ele achou que era muito curto para um romance, com o autor realizando várias pesquisas antes de começar a escrever. O romance lida com vários temores da década de 1950, incluindo o temor de ataque de foguetes, aniquilação nuclear, comunismo, ressurgimento do nazismo e a "ameaça interna" vinda destas duas ideologias. O livro também examina a inglesidade, procurando mostrar tantos as virtudes quanto os defeitos da Inglaterra.

Moonraker foi publicado no Reino Unido em abril de 1955 pela editora Jonathan Cape e foi bem recebido pela crítica. Foi adaptado pela primeira vez em 1956 na África do Sul como um rádio-drama estrelado por Bob Holness, seguido por uma tira de quadrinhos serializada no jornal Daily Express entre março e agosto de 1959. O título do livro foi usado em 1979 para o décimo primeiro filme da série cinematográfica de James Bond, o quarto estrelado por Roger Moore, porém o enredo foi alterado significativamente.

Enredo O agente secreto britânico James Bond é convidado por seu superior M para o clube Blades. Neste, o empresário sir Hugo Drax está ganhando uma quantidade considerável de dinheiro jogando bridge. M suspeita que Drax está trapaceando e fica preocupado do motivo de um multimilionário e herói nacional estar trapaceando. Bond confirma a trapaça e consegue virar o jogo para cima de Drax usando um baralho manipulado, ganhando quinze mil libras esterlinas.

Drax tem um passado misterioso, supostamente desconhecido até dele mesmo. Acredita-se que era um soldado do Exército Britânico durante a Segunda Guerra Mundial que foi seriamente ferido à ponto de sofrer amnésia pela explosão de uma bomba plantada por um sabotador alemão em um quartel britânico. Voltou para casa depois de se recuperar e se tornou um rico industrialista. Drax depois disso começou a construir o "Explorador da Lua", o primeiro projeto de míssil nuclear britânico, que tinha a intenção de defender o Reino Unido dos seus inimigos da Guerra Fria. O foguete é um V-2 aprimorado que usa columbita para suportar as enormes temperaturas de combustão de seus motores, material que Drax detém um monopólio. O Explorador da Lua consegue aproveitar essa grande resistência ao calor para ampliar seu alcance para toda a Europa.

Um oficial de segurança do Ministério do Abastecimento é assassinado e M designa Bond para substituí-lo e investigar o que está acontecendo na base de construção de mísseis, localizada no litoral sul da Inglaterra. Todos os cientistas trabalhando no projeto são alemães. Ele conhece Gala Brand, uma policial do Ramo Especial que está atuando disfarçada como assistente pessoal de Drax. Bond descobre pistas sobre a morte de seu predecessor, concluindo que ele foi morto por ter avistado um submarino no litoral.

Krebs, um capanga de Drax, vasculha o quarto de Bond e este depois é quase morto junto com Brand por um deslizamento de terra. Drax leva Brand para Londres, onde ela descobre a verdade sobre o Explorador da Lua ao comparar seus próprios dados de trajetória com aqueles em um caderno que ela achou no bolso de Drax. Krebs a captura e a deixa presa em uma secreta estação de rádio que tem a intenção de atuar como farol para o sistema de orientação do míssil, ficando localizada bem no centro de Londres. Bond persegue Drax enquanto este leva Brand de volta para as instalações do Explorador da Lua, mas também acaba capturado.

Drax revela que nunca foi um soldado britânico e nunca teve amnésia: seu nome verdadeiro é conde Hugo von der Drache, um alemão comandante da unidade Werwolf. Ele se disfarçou com um uniforme Aliado e foi o sabotador que plantou a bomba no quartel britânico com a intenção de se ferir na explosão. A história da amnésia era apenas um disfarce para evitar ser reconhecido enquanto se recuperava no hospital, porém ela acabou levando a uma identidade britânica totalmente nova. Drax permaneceu um nazista convicto e determinado em se vingar do Reino Unido pela derrota da Alemanha e pelos desprezos sociais que sofreu em sua infância em uma escola britânica antes da guerra. Ele também explica que a União Soviética lhe deu uma ogiva nuclear que foi secretamente instalada no Explorador da Lua com o objetivo de destruir Londres.

Bond e Brand são aprisionados onde serão incinerados pela exaustão dos motores do Explorador da Lua, mas conseguem escapar antes do lançamento. Brand passa as coordenadas que Bond precisa para redirecionar o foguete para o mar. Drax e seus capangas escapam em um submarino soviético, mas acabam mortos quando o Explorador da Lua cai em cima deles. Depois de tudo, Bond se reencontra com Brand, mas eles se separaram depois dela revelar que está noiva de um colega policial.

Antecedentes e escrita O produtor de cinema Alexander Korda leu uma cópia prévia de Live and Let Die no início de 1953 e informou seu autor, o jornalista e escritor britânico Ian Fleming, de que ficou animado com o livro, mas que a história em si não seria uma boa base para um longa-metragem. Fleming disse a Korda que seu romance seguinte seria a expansão da ideia de um roteiro que se passaria em Londres e em Kent, também comentando que essa ambientação permitiria "alguns cenários de filme maravilhosos".

Fleming realizou muita pesquisa para escrever Moonraker. Ele pediu a Anthony Terry, um colega no jornal The Sunday Times, por informações sobre a unidade alemã Werwolf da Segunda Guerra Mundial e sobre foguetes V-2. Este último foi um assunto sobre o qual escreveu apara o escritor de ficção científica Arthur C. Clarke e à Sociedade Interplanetária Britânica. Fleming também visitou o psiquiatra Eric Strauss para discutir os traços de megalomaníacos, com o médico lhe emprestando o livro Men of Genius, que fazia uma ligação entre megalomania e chupar dedo quando criança. Fleming usou isto para fazer Hugo Drax sofrer de diastema, um resultado comum de se chupar o dedo. Segundo o biógrafo Andrew Lycett, Fleming "queria fazer de Moonraker seu romance mais ambicioso e pessoal". O autor era um assíduo jogador de cartas e ficou fascinado pelo escândalo do bacará real de 1890, conhecendo em 1953 uma mulher que estava presente na partida e questionando-a tão intensamente que ela começou a chorar.

thumb|240px|esquerda|Goldeneye, onde Fleming escreveu todos os romances de James Bond Fleming e sua esposa Ann viajaram para sua propriedade Goldeneye na Jamaica em janeiro de 1954 a fim de passarem suas férias anuais de dois meses. Ele nesta altura já tinha escrito dois romances de Bond: Casino Royale, publicado em abril de 1953, e Live and Let Die, cuja publicação seria em alguns meses. Fleming começou a escrever Moonraker ao chegar. Ele escreveu em maio de 1963 um artigo para a revista Books and Bookmen em que descreveu seu processo de escrita, dizendo: "Eu escrevo por cerca de três horas pela manhã ... e faço outra hora de trabalho entre seis e sete da noite. Nunca corrijo nada ou volto atrás para ver o que escrevi ... Pela minha fórmula, você escreve duas palavras por dia". Fleming já tinha escrito trinta mil palavras até 24 de fevereiro, porém escreveu a um amigo que achava que estava parodiando seus dois trabalhos anteriores. Fleming escreveu em sua própria cópia de Live and Let Die o seguinte: "Isto foi escrito entre janeiro e fevereiro de 1954 e publicado um ano depois. É baseado em um roteiro de filme que eu tive em mente por muitos anos". Ele depois disse que a ideia do filme era muito curta para um romance e que "eu tive que mais ou menos enxertar a primeira metade do livro na minha ideia de filme para que ficasse na duração necessária".

Fleming considerou vários títulos para o romance. Sua primeira escolha tinha sido The Moonraker, mas seu amigo e dramaturgo Noël Coward o lembrou que já existia um romance com esse nome escrito por F. Tennyson Jesse. Fleming então considerou The Moonraker Secret, The Moonraker Plot, The Inhuman Element, Wide of the Mark, The Infernal Machine, Mondays are Hell e Out of the Clear Sky. Wren Howard da editora Jonathan Cape sugeriu Bond & the Moonraker, The Moonraker Scare e The Moonraker Plan, enquanto seu amigo e escritor William Plomer sugeriu Hell is Here. A escolha final de apenas Moonraker foi sugestão de Howard.

Fleming deu poucas informações sobre datas dentro de suas obras, mas dois escritores identificaram linhas do tempo diferentes a partir de eventos e situações relatados dentro da série James Bond como um todo. John Griswold e Henry Chancellor, ambos os quais escreveram livros à pedido da Ian Fleming Publications, colocam os eventos de Moonraker ocorrendo em meados de 1953, com Griswold sendo ainda mais específico, afirmando que a história se passa em maio daquele ano.

Desenvolvimento Inspirações thumb|240px|O Boodle's, um clube de cavalheiros de Londres e um dos modelos do Blades; Fleming era um membro desse clube Muitos dos locais descritos no decorrer do romance foram baseados nas experiências pessoais de Fleming. Moonraker é o único livro de Bond que se passa inteiramente no Reino Unido, algo que o autor usou para escrever sobre a Inglaterra que ele tanto gostava, como o interior de Kent, incluindo os Penhascos Brancos de Dover, e os clubes de cavalheiros de Londres. Fleming era dono de um chalé em St Margaret's at Cliffe, perto de Dover, e se esforçou bastante para descrever corretamente os detalhes da área, chegando a emprestar seu carro para seu enteado com o objetivo de cronometrar a viagem de Londres para Deal para ser inclusa no livro. Ele também usou suas experiências nos clubes de Londres para as cenas que se passam no Blades. Fleming era membro do Boodle's, White's e Portland Club, com uma combinação do primeiro e do último provavelmente tendo sido os modelos para o Blades. O autor Michael Dibdin considerou que a cena no clube era "certamente uma das melhores coisas que Fleming já fez".

Os primeiros capítulos se focam na vida particular de Bond, com Fleming usando seu próprio estilo de vida como base. Também usou amigos, assim como havia feito nas suas obras anteriores: Hugo Drax foi nomeado em homenagem ao seu cunhado Hugo Charteris e também seu conhecido almirante sir Reginald Drax, enquanto seu amigo Duff Sutherland era um dos jogadores de bridge no Blades. Ronnie Vallance, o nome de superintendente da Polícia Metropolitana de Londres, era uma combinação daqueles de Ronald Howe, o verdadeiro comissário assistente da polícia na época, e da Vallance Lodge & Co., os contadores de Fleming. Outros elementos vieram do conhecimento do autor de operações de guerra realizadas pela T-Force, uma unidade secreta do Exército Britânico formada para continuar os trabalhos da Unidade de Assalto 30, esta estabelecida por Fleming.

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