Diamonds Are Forever é um romance de espionagem escrito pelo autor britânico Ian Fleming e o quarto livro da série James Bond. A história acompanha o agente secreto britânico James Bond enquanto investiga contrabando de diamantes desde minas em Serra Leoa até Las Vegas nos Estados Unidos, no caminho se envolvendo com Tiffany Case, uma das contrabandistas.
Fleming escreveu Diamonds Are Forever durante suas férias nos primeiros meses de 1955 em sua propriedade Goldeneye na Jamaica. Ele se inspirou em um artigo sobre contrabando de diamantes publicado no jornal The Sunday Times, com boa parte de sua pesquisa para escrever o romance tornando-se a base para seu posterior livro de não-ficção The Diamond Smugglers, publicado em 1957. O romance lida com diversos temas, incluindo viagens internacionais, casamento e a natureza transitória da vida.
Diamonds Are Forever foi publicado no Reino Unido em março de 1956 pela editora Jonathan Cape e foi relativamente bem recebido pela crítica especializada na época. A história foi adaptada pela primeira vez como uma história em quadrinhos serializada no jornal Daily Express, primeiro em um formato resumido e multiparte e depois como uma tira. Foi então adaptado em 1971 como o sétimo filme da série cinematográfica de James Bond, o sexto e último longa-metragem oficial estrelado por Sean Connery.
Enredo M, o chefe do Serviço Secreto Britânico, envia o agente James Bond para se infiltrar em uma operação de contrabando de diamantes que começa em minas na colônia real de Serra Leoa e vai até os Estados Unidos. O objetivo de Bond é descobrir os responsáveis pela operação. Ele usa a identidade falsa de "Peter Franks", um ladrão de residências que virou contrabandista de diamantes, e conhece Tiffany Case, uma contrabandista que desenvolveu uma antipatia para com homens por ter sido estuprada quando adolescente.
Bond descobre que a operação é comandada por uma gangue estadunidense liderada pelos irmãos Jack e Seraffimo Spang. Ele segue os rastros de Londres até Nova Iorque. Bond é instruído por Shady Tree, um membro da gangue, a apostar em uma corrida de cavalos manipulada próxima de Saratoga Springs com o objetivo de ganhar sua taxa por carregar os diamantes. Ele se encontra com seu amigo Felix Leiter, um ex-agente da CIA trabalhando como detetive particular investigando as corridas. Leiter suborna o jóquei para garantir o fracasso do esquema para manipular a corrida e pede para que Bond faça o pagamento. Este depois testemunha dois capangas, Wint e Kidd, atacando o jóquei.
Bond entra em contato com Tree para perguntar mais detalhes sobre o pagamento de sua taxa e é instruído a ir ao Hotel Tiara em Las Vegas, uma propriedade de Seraffimo Spang que é usada como a sede da gangue de contrabandistas. Spang também é dono de uma cidade fantasma chamada Spectreville que foi restaurada para ser sua propriedade de verão particular. Bond finalmente é pago por meio de um jogo manipulado de vinte-e-um no cassino do hotel em que a crupiê é Tiffany. Ele desobedece as ordens de Tree e continua a jogar no cassino, ganhando uma grande quantidade de dinheiro. Spang passa a suspeitar de Bond, capturando-o e torturando-o em Spectreville. Ele escapa com a ajuda de Tiffany em um carrinho de mão ferroviário enquanto Spang os persegue em um trem antigo. Bond redireciona os trilhos e consegue matar Spang antes do trem se acidentar. Bond e Tiffany, com a ajuda de Leiter, vão para Nova Iorque e sobem a bordo do transatlântico com destino a Londres. Wint e Kidd os seguem e sequestram Tiffany, planejando matá-la e jogá-la no mar. Bond a resgata e mata os dois capangas, armando a cena para que pareça um assassinato-suicídio.
Tiffany conta a Bond os detalhes da operação de contrabando. A história começa na África, onde um dentista suborna mineiros para contrabandearem diamantes em suas bocas, extraindo as pedras durante consultas de rotina. Em seguida o dentista leva os diamantes para um ponto de encontro com um piloto de helicóptero alemão. Os diamantes acabam indo para Paris e depois para Londres. Tiffany então é instruída por telefone por um contato chamado ABC, se encontrando com uma pessoa que conta que os diamantes serão contrabandeados para Nova Iorque. Os dois chegam em Londres e Bond vai para Freetown em Serra Leoa e depois para o ponto seguinte de contrabando. Jack Spang, que é revelado como sendo ABC, acaba com a operação ao matar todos os participantes. O próprio Spang é morto quando Bond derruba seu helicóptero.
Antecedentes e escrita O autor britânico Ian Fleming tinha em meados de 1954 publicado dois romances, Casino Royale em 1953 e Live and Let Die em 1954, enquanto o terceiro, Moonraker, estava sendo editado e preparado para publicação. Nesse mesmo ano ele leu um artigo no jornal The Sunday Times sobre contrabando de diamantes oriundos de Serra Leoa. Fleming considerou essa história como uma possível base para um novo romance e, por meio de um antigo amigo de escola, arranjou de se encontrar com sir Percy Sillitoe, o ex-chefe do Serviço de Segurança Britânico, que na época estava trabalhando na área de segurança da empresa comerciante de diamantes De Beers. O material de pesquisa que Fleming reuniu foi usado tanto em Diamonds Are Forever quanto em The Diamond Smugglers, este um livro de não-ficção publicado em 1957.
Sir William Stephenson, amigo de Fleming, lhe enviou um artigo de revista sobre a estância termal de Saratoga Springs, assim o autor viajou para os Estados Unidos em agosto de 1954, onde se encontrou com seus amigos Ivar Bryce e Ernest Cuneo. Fleming e Cuneo visitaram um banho de lama e, no caminho para um estabelecimento de luxo, erraram o caminho e foram parar em um lugar decadente, com isto se tornando a inspiração para a cena da Acme Mud and Sulphur Baths no livro. Fleming conheceu o socialite William Woodward Jr., que dirigia um Studillac, um carro formado pela carroceria de um Studebaker com um motor de Cadillac. Segundo o autor Henry Chancellor, "a velocidade e conforto [do carro] impressionaram [Fleming], e ele se apropriou descaradamente deste carro" para o romance. Woodward foi pouco depois morto por sua própria esposa, que afirmou que o confundiu com um ladrão, e quando Diamonds Are Forever foi publicado o livro foi dedicado a Bryce, Cuneo e à "memória de W. W. Jr., em Saratoga, em 1954 e 55".
thumb|240px|esquerda|Goldeneye, onde Fleming escreveu todos os romances de James Bond Fleming viajou para Los Angeles junto com Cuneo e visitou a sede da Inteligência do Departamento de Polícia de Los Angeles, conhecendo o capitão James Hamilton, quem lhe contou informações sobre a organização da máfia nos Estados Unidos. Em seguida Fleming viajou para Las Vegas, onde se hospedou no Sands Hotel and Casino. Ele entrevistou o dono do local, Jack Entratter, que lhe contou sobre os sistemas de segurança e métodos de trapaça que o autor depois usou no romance.
Diamonds Are Forever foi escrito durante as férias de Fleming entre janeiro e fevereiro de 1955 em sua propriedade Goldeneye na Jamaica, mesmo local onde escreveu todas as suas outras obras. Ele seguiu sua prática de escrita usual, detalhada pelo próprio posteriormente em maio de 1963 em um artigo para a revista Books and Bookmen, dizendo que: "Eu escrevo por cerca de três horas pela manhã ... e faço outra hora de trabalho entre seis e sete da noite. Nunca corrijo nada ou volto atrás para ver o que escrevi ... Pela minha fórmula, você escreve duas palavras por dia". Ao finalizar o livro ele escreveu para seu amigo Hilary Bray:
Fleming voltou para Londres no Reino Unido em março daquele ano trazendo consigo um manuscrito datilografado completo de 183 páginas; ele anteriormente já tinha escolhido um título para a obra, que era baseado no slogan de propaganda "Um Diamante é Eterno" da edição estadunidense da revista Vogue.
Fleming deu poucas informações sobre datas dentro de suas obras, mas dois escritores identificaram linhas do tempo diferentes a partir de eventos e situações relatados dentro da série James Bond como um todo: John Griswold e Henry Chancellor, ambos os quais escreveram livros à pedido da Ian Fleming Publications. Chancellor colocou os eventos de Diamonds Are Forever em meados de 1954, já Griswold foi mais preciso e considerou que a história se passa entre julho e agosto de 1953.
Desenvolvimento Inspirações 250px|thumb|O Queen Elizabeth chegando em Nova Iorque; Fleming viajou para os Estados Unidos a bordo e usou essa experiência como inspiração em Diamonds Are Forever Fleming tinha anteriormente viajado para os Estados Unidos a bordo do transatlântico , com a experiência proporcionando boa parte das informações de fundo para os quatro últimos capítulos do livro. Sua viagem também tinha incluído uma viagem de trem no Super Chief, durante a qual ele e Cuneo conversaram com o maquinista e engenheiro, e uma excursão no 20th Century Limited, ambos os quais deram informações que Fleming usou para o trem de Spang, o Cannonball. O autor há muito tinha um interesse em trens e passou a associá-los com perigo depois de se envolver em um acidente quase fatal. Além de Diamonds Are Forever, Fleming também colocou trens em Live and Let Die, From Russia, with Love e The Man with the Golden Gun.
Fleming se apropriou de nomes de pessoas que ele conhecia para personagens do livro, assim como fez em várias de suas obras. O nome de Cuneo, um dos companheiros de viagem do autor pelos Estados Unidos, foi usado para Ernie Cuneo, o taxista de Bond em Las Vegas, enquanto um dos vilões homossexuais do livro, "Boofy" Kidd, foi nomeado em homenagem a um de seus amigos mais próximos, e parente de sua esposa, lorde Arthur Gore, 8ª Conde de Arran, que era conhecido entre seus amigos como "Boofy". Arran era um defensor do relaxamento das leis britânicas sobre homossexualidade e soube sobre o uso de seu apelido no livro antes da publicação, reclamando com Fleming, mas isto foi ignorado e o nome permaneceu na versão final. Fleming encontrou o nome Spang, que em alemão antigo significa "fabricante de fivelas de sapato", durante sua viagem pelos Estados Unidos e o usou para os irmãos vilões da história.
Personagens O autor Jonathan Kellerman, na introdução da edição de 2006 de Diamonds Are Forever, descreveu Bond como um personagem "surpreendentemente ... complexo" que, diferentemente da sua representação cinematográfica, é "nada mais do que humano. ... O Bond de Fleming comete erros e paga por eles. Ele sente grande dor e arrependimento". O autor Raymond Benson, que depois escreveu vários romances de Bond, afirmou que o personagem se desenvolve em Diamonds Are Forever, construindo a partir da caracterização de Fleming nos três livros anteriores. Seu crescimento vem por meio de seu relacionamento com Tiffany Case, a principal personagem feminina da história. Ele se apaixona, a primeira vez desde Vesper Lynd em Casino Royale. Segundo Benson, Tiffany é representada como forte, solitária e insegura, sendo a "primeira personagem feminina totalmente desenvolvida de Fleming". Os historiadores culturais Janet Woollacott e Tony Bennett escreveram que muitas das personagens femininas principais nos romances de Fleming são incomuns, com Tiffany, junto com Pussy Galore de Goldfinger e Honeychile Rider de Dr. No, sendo "danificada ... sexualmente" por ter sido anteriormente estuprada. O efeito do trauma fez Tiffany trabalhar para os vilões, o que permite que Bond complete sua missão e a alinhe a um estilo de vida mais honesto.