Bertrand Jean-Louis Gachot (Cidade de Luxemburgo, 23 de dezembro de 1962) é um ex-automobilista luxemburguês, naturalizado belga. Filho de um comissário francês da União Europeia, também possui a cidadania de seu pai.

Participou da Fórmula 1 entre os anos de e , com um retorno entre e , pelas equipes Onyx, Rial, Coloni, Jordan, Larrousse e Pacific, atuando em 47 provas (84 tentativas). Marcou 5 pontos no campeonato, e seu maior feito foi a volta mais rápida do GP da Hungria em . É, até hoje, o único piloto nascido em Luxemburgo (mesmo com a dupla cidadania) a ter participado da principal categoria do automobilismo.

Início da carreira Categorias de acesso A carreira de Gachot teve início em 1977, no kart. Em 1983, foi para a Winfield School (escola de formação de pilotos), sediada no circuito francês Paul Ricard, e competiu contra os futuros pilotos de Fórmula 1 Damon Hill, Jean Alesi e Éric Bernard, que conquistou o Volant Elf. Em 1984, Gachot abandonou a universidade para se concentrar no automobilismo profissional, tendo disputado a Fórmula Ford Festival e a Fórmula Ford 1600, vencendo a competição logo na primeira temporada. No ano seguinte, foi novamente campeão, desta vez da série europeia da categoria. Em 1987, sagrou-se vice-campeão da Fórmula 3 Inglesa.

Em 1988, foi para a Fórmula 3000, pilotando para a equipe Spirit/Tom's. Seu melhor resultado foram dois segundos lugares, em Vallelunga e Silverstone, terminando sua única temporada na categoria em 8º lugar, com 13 pontos.

Carreira na Fórmula 1 Onyx e Rial Ingressando com a superlicença belga, Gachot chegou à Fórmula 1 em 1989, assinando com a também estreante equipe Onyx. Apesar de ter feito sua estreia no GP do Brasil, ele não passou da pré-classificação, estreando oficialmente no GP da França, largando em 11º lugar, 2 posições à frente do experiente companheiro de equipe Stefan Johansson, e terminou em 13º, 4 voltas atrás do vencedor Alain Prost.

Um desentendimento com Jean-Pierre Van Rossen, dono da Onyx, fez com que Gachot perdesse sua vaga, ocupada pelo finlandês JJ Lehto. Ele encontrou uma vaga aberta na equipe Rial, falhando nas tentativas de se classificar para as provas do Japão e da Austrália.

Martírio na Coloni Em , Gachot assinou com a Coloni, frequentadora assídua das pré-classificações. Inicialmente pilotando um carro equipado com motores Subaru, o belga penou nas pré-classificações, não obtendo a vaga em nenhuma corrida. Com a Coloni trocando de fornecedora de motores (a partir do GP da Alemanha, passaram a correr com propulsores Ford-Cosworth), teve uma melhora em seu desempenho: embora passasse da primeira fase dos treinos, ficava sempre entre os últimos colocados nas sessões oficiais (sempre entre o 30º e o 31º lugar).

Jordan: a ascensão

Após a malsucedida passagem pela Coloni, Gachot foi contratado pela novata equipe Jordan, que contrataria o experiente italiano Andrea de Cesaris para ser seu companheiro de escuderia.

No GP do Canadá, marcou os seus primeiros pontos ao chegar em 5º lugar, numa prova lembrada pelo abandono de Nigel Mansell faltando metros para a bandeirada, e pela última vitória de Nelson Piquet. Conquistaria mais 2 pontos ao chegar em 6º lugar nas etapas da Inglaterra e da Alemanha. Em Hungaroring, Gachot chegou na 9ª posição, fazendo a volta mais rápida da prova, a única dele na F-1. Quando todos esperavam o belga confirmar sua ascensão na categoria, um incidente mudaria sua carreira para sempre.

A briga na Inglaterra e a prisão Em 10 de dezembro de 1990, quando já havia deixado a Coloni, Gachot envolveu-se em uma briga com um taxista inglês chamado Eric Court. Ambos começam a discutir rispidamente, e o taxista acertou um soco no rosto de Gachot, que revidou utilizando um spray de pimenta, deixando seu opositor momentaneamente cego. Eric acabou entrando com um processo contra Gachot.

A justiça inglesa deu o veredicto em agosto de 1991: Gachot seria condenado a 6 meses de prisão por posse ilegal de armas, e a um ano por ter usado o spray de pimenta, arma considerada ilegal no Reino Unido. Eddie Jordan, após a perda de seu piloto titular, entrou em dúvida sobre seu substituto. Stefan Johansson e Keke Rosberg foram cogitados, mas o empresário alemão Willi Weber pagou 300 mil dólares para colocar o então desconhecido Michael Schumacher no lugar de Gachot no GP da Bélgica.

Em frente ao consulado britânico em Bruxelas, pilotos (liderados por Thierry Boutsen e Eric van de Poele), torcedores, jornalistas, mecânicos e fiscais de pista belgas protestaram vestindo camisetas com frases do tipo: "Free Gachot" (libertem Gachot), "Why Gachot?" (porque Gachot?), "God bless England, and also Gachot" (Deus abençoe a Inglaterra, e também Gachot). A FISA chegou a disponibilizar advogados para o piloto, e até na Fórmula 3000, seu compatriota Pascal Witmeur colocou em seu carro a frase "Free Gachot". Torcedores belgas, irritados com a decisão de condenarem o piloto à prisão, picharam o asfalto entre as curvas Rivage e Pouhon a frase "Gachot, la Belgique est avec toi! Tu n'es pas un hooligan!" (Gachot, a Bélgica está com você. Você não é um hooligan!), numa referência à tragédia de Heysel, ocorrida em 1985.

Nada adiantou: Gachot foi mandado para a prisão de segurança máxima de Brixton, considerada uma das mais rígidas do Reino Unido. A situação dele por lá não era animadora: ele dividia uma cela com os bandidos mais perigosos da Inglaterra, e só tinha direito a uma hora de banho de sol. Não havia banheiro próprio, televisão, jornal e até um lugar para comer sentado estava indisponível. Ele só tinha direito a receber visitas de cinco minutos de sua namorada a cada 15 dias. Gachot mandou uma carta à Jordan e à imprensa relatando sua situação. A situação de Gachot era tão preocupante que Eric Court decidiu cancelar o processo. Semanas depois, o belga foi transferido para uma cadeia mais digna. Lá, ele conseguia ao menos preparar-se fisicamente e psicologicamente visando seu retorno à F-1. Enquanto isso, seus advogados entravam com recursos. E a vitória veio no dia 15 de outubro, depois que a pena era considerada muito dura. Gachot foi liberado e houve festa na embaixada francesa.

Retorno à Fórmula 1, pela Larrousse

Libertado após 2 meses, Gachot retornou à Fórmula 1 e tentou recuperar sua vaga na Jordan, até então ocupada pelo italiano Alessandro Zanardi, mas a equipe irlandesa recusou recontratá-lo. Sua volta à categoria foi pela equipe Larrousse, substituindo o lesionado Éric Bernard, mas naufragou na pré-classificação para o GP da Austrália.

Continuaria na Larrousse (agora com o nome de "Venturi") em , desta vez com a superlicença francesa, e marcou seu último ponto na categoria ao chegar em 6º lugar na etapa de Mônaco. Fora da Fórmula 1, venceu a prestigiada corrida das 24 Horas de Le Mans em 1991, pela equipe Mazda, com o inglês Johnny Herbert e o alemão Volker Weidler.

A curta passagem pela CART Em 1993, Gachot teve sua primeira e única experiência na CART (mais tarde, Champ Car), disputando o GP de Toronto, marcando um ponto pela equipe Dick Simon.

Novo retorno à Fórmula 1, agora pela Pacific

Em 1994, Gachot retorna pela segunda vez à F-1, desta vez por outra escuderia estreante na categoria, a Pacific (onde havia corrido na Fórmula Ford). Guiando o carro número 34, ele disputaria cinco etapas, mas o martírio das não-classificações voltaria a atormentar o piloto, que ficou de fora em 11 provas. Em 1995, a Pacific compra o espólio da Lotus, e Gachot permanece no time, praticamente exercendo funções de piloto e dono de equipe. Disputaria oito etapas da temporada de 1995, ficando de fora por 6 provas (Giovanni Lavaggi e Jean-Denis Délétraz o sucederam durante o período), número que poderia ser maior caso o japonês Katsumi Yamamoto e o britânico Oliver Gavin não tivessem suas inscrições recusadas para as últimas corridas da temporada por falta de superlicença. Retornou no GP do Pacífico, encerrando sua carreira na F-1 chegando na oitava posição no GP da Austrália.

Gachot pretendia disputar a temporada de 1996 novamente pela Pacific, que vivia grave crise financeira. Em situação insustentável, a equipe fechou as portas e Gachot tentou classificar um carro da Ssangyong para as 24 Horas de Le Mans, mas não foi bem-sucedido; um novo insucesso em 1997, quando não conseguiu classificar um Porsche 911 GT1 da equipe Kramer Racing, fez com que ele pendurasse o capacete aos 34 anos.

Hoje, Gachot é empresário, exercendo a função de presidente da fábrica de bebidas energéticas Hype.

Fórmula 1 (legenda) (Corrida em itálico indica volta mais rápida) Ano Nome Oficial da Equipe Chassi Motor 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 Pontos Posição Moneytron OnyxFormula One ORE-1 FordDFR V8 BRANPQ SMRNPQ MONNPQ MEXNPQ EUANPQ CANNPQ FRA13 GBR12 GERNPQ HUNRet BELRet ITARet POR ESP 0 NC(32º) Rial Racing ARC2 JAPNQ AUSNQ SubaruColoni Racing C3B Subaru 1235F12 EUANPQ BRANPQ SMRNPQ MONNPQ CANNPQ MEXNPQ FRANPQ GBRNPQ - NC Coloni Racing C3C Ford CosworthDFR V8 GERNPQ HUNNPQ BELNQ ITANQ PORNQ ESPNQ JAPNQ AUSNQ Team 7Up Jordan 191 FordHB4 V8 EUA10 BRA13 SMRRet MON8 CAN5 MEXRet FRARet GBR6 GER6 HUN9 BEL ITA POR ESP JAP 4 13º Larrousse F1 LC91 FordDFR V8 AUSNQ Central ParkVenturi Larrousse LC92 Lamborghini3512 V12 RSARet MEX11 BRARet ESPRet SMRRet MON6 CANDSQ FRARet GBRRet GER14 HUNRet BEL18 ITARet PORRet JAPRet AUSRet 1 19º PacificGrand Prix Ltd PR01 Ilmor2175A V10 BRARet PACNQ SMRRet MONRet ESPRet CANRet FRANQ GBRNQ GERNQ HUNNQ BELNQ ITANQ 0 NC Ursus PacificGrand Prix PORNQ EURNQ JAPNQ AUSNQ PacificGrand Prix Ltd PR02 FordEDC V8 BRARet ARGRet SMRRet ESPRet MONRet CANRet FRARet GBR12 GER HUN BEL ITA POR EUR PACRet JAPRet AUS8 0 NC(26º)

24 Horas de Le Mans Ano Equipe Nº Co-Pilotos Chassi Pneus Classe Voltas Posição PosiçãoNaCategoria Motor 1990 Mazdaspeed Co. Ltd. 201 Volker Weidler Johnny Herbert Mazda 787 GTP 148 DNF DNF Mazda R26B 2.6L 4-Rotor 1991 Martini Lancia 55 Volker Weidler Johnny Herbert Mazda 787B C2 362 1º 1º Mazda R26B 2.6L 4-Rotor 1992 Mazdaspeed Co. Ltd. Oreca 5 Johnny Herbert Volker Weidler Maurizio Sala Mazda MXR-01 C1 336 4º 4º Mazda (Judd) MV10 3.5L V10 1994 Kremer Honda Racing 48 Armin Hahne Christophe Bouchut Honda NSX GT2 257 14º 6º Honda 3.0L V6 1995 Honda Motor Co. Ltd. 47 Armin Hahne Ivan Capelli Honda NSX GT1 GT1 384 DNF DNF Honda 3.0L Turbo V6 1997 Kremer Racing 30 Christophe Bouchut Andy Evans Porsche 911 GT1 GT1 207 DNF DNF Porsche 3.2L Turbo Flat-6

Categoria:Pilotos de Fórmula 1 da Bélgica Categoria:Pilotos da equipe Coloni de Fórmula 1 Categoria:Pilotos da equipe Onyx de Fórmula 1 Categoria:Pilotos da equipe Jordan de Fórmula 1 Categoria:Pilotos da equipe Larrousse de Fórmula 1 Categoria:Pilotos da equipe Pacific de Fórmula 1 Categoria:Pilotos das 24 Horas de Le Mans Categoria:Pilotos da Champ Car Categoria:Pilotos do Campeonato Britânico de Fórmula 3 Categoria:Naturais de Luxemburgo (cidade)