Padre Leopoldo AiresPor vezes, seu sobrenome era grifado como "Ayres" (Itararé, 29 de julho de ? ― Petrópolis, ) foi um sacerdote católico, político, articulista, professor universitário e escritor brasileiro.

Biografia Nascido em 27 de julho em Itararé, no Estado de São Paulo, filho do casal João Aires Dias e de Selanira Prado Aires, Leopoldo aprendeu a ler com seu tio padre, Sizenando de Cruz Dias, nos matutinos do “Correio da Manhã” (SP) em por volta de 1906. Nesse período, insistiu ao seu pai assinar o jornal “O Estado do Paraná” (PR) em seu nome. Em 1909 foi à Itapetininga, onde foi vizinho e conheceu o então vice-presidente da República coronel Fernando Prestes, com quem conversava amiúde sobre política, no que o coronel trazia-o jornais da capital paulista que lhe entretinham as manhãs.

No mesmo ano, tornou-se leitor assíduo do periódico “Correio Paulistano” (SP) e lia os discursos de Rui Barbosa para seu avô, Teodorico da Silva Prado, primo-irmão do conselheiro Antônio Prado. Por este jornal possuía grande apreço, considerando-o um hebdomadário “pioneiro das ideias adiantadas”, cujas colunas sempre abrigaram “o espírito moço, ansioso de renovações”, e que tiveram páginas onde brandiam suas armas “contra o preconceito de que o que é velho deve ser sempre velho, contra o conservantismo estéril, contra a ideia fixa e contra o sistema encruado” homens da estirpe de um Cassiano Ricardo, um Menotti del Picchia, um Plínio Salgado e um Cândido Mota Filho, grupo este que Leopoldo considerava “o mais luminoso conjunto de colaboradores” com o mais “elevado teor literário, cívico, científico e artístico” que já foram reunidos naquele jornal e na imprensa brasileira. Considerava-se um civilista cuja formação foi elaborada pelas páginas do Correio em seus tempos juvenis, bem como classificou-se naturalmente atraído para a imprensa, tendo nascido com essa inclinação.

Ao passo que o Estado de São Paulo foi ameaçado de intervenção federal manobrada pelo general Pinheiro Machado, correu à Jorge Alves Cabral e pediu sua filiação à Liga Anti-Intervencionista (LAI), criada por Washington Luís, naquela época Secretário da Justiça. Devendo frequentar o ginásio, foi à Botucatu, onde era proibida a leitura de jornais. Cursado o ginásio, foi à Itapetininga e pôde não apenas volver a ler jornais, como também começou a escrevê-los como articulista. Foi naquela cidade, em 1914, onde publicou seu primeiro artigo, no periódico “O Democrata”, de seu amigo Camilo José de Araújo Lellis.

A 9 de maio de 1929 foi ordenado sacerdote pelo bispo de Ribeirão Preto, D. Alberto J. Gonçalves. Aires já havia se casado anteriormente com Zenith Guedes Aires, com quem teve uma filha chamada Lúcia Maria Aires. Aquela, porém, faleceu. Possuía muito interesse na vida e obra de Carlos de Laet, do Padre João Gualberto e do Padre Júlio Maria do Rego Barros, sobre os quais ele tinha livros em preparo. Em 1931, publicou seu primeiro e único livro “O encanto de Teresa de Lisieux”.

Atuação política Durante o breve período dos anos 1920, foi amigo pessoal de Jackson de Figueiredo, um pensador católico, fundador do Centro Dom Vital. Sua amizade com Figueiredo o levaria a escrever uma biografia sobre o amigo anos mais tarde, em 1962. A publicação, porém, nunca foi à prelo. Nesta época, residindo em Batatais, atuou como professor no Colégio São José e articulista na “Gazeta de Batatais” (SP), onde conheceu o major José Olímpio e fez-se amigo de sua família, frequentando sua casa e conhecendo seu filho José Olímpio Filho, que mandava livros da capital paulista como presente para ele.

Sua trajetória política durante a década de 30 foi mui abrangente, tendo também organizado palestras em São Paulo para defender os deveres da cidadã e mãe de família e “a ação da mulher na sociedade”. Foi grande apoiador de Júlio Prestes, esgrimindo com o mesmo na sede do jornal oficial do Partido Republicano Paulista (PRP), lutando pela renovação política e literária brasileira. Segundo Leopoldo, foi quando Prestes disse que “é preciso ver o Brasil com olhos brasileiros”, que ele entusiasmou-se no que chamou de saudável nacionalismo e de inconformismo. Reconhecia em Prestes uma capacidade realizadora que “se [o governo da República] tivesse chegado a ser exercido por ele, teria sido um dos maiores na história política e administrativa do Brasil”. Atuava como professor docente no Liceu “S. Paulo” Franco-Brasileiro.

Filiou-se ao Republicano Paulista em 1934, sendo candidato pelo partido como deputado federal para a Assembleia Nacional Constituinte daquele mesmo ano, quando fez sua campanha política ao lado de Altino Arantes. Momento em que era secretário da Liga Eleitoral Católica (LEC) em sua cidade natal, Itararé. A sua candidatura e filiação ao PRP foi mal vista pelos olhos de seu amigo Assis Chateaubriand, que mencionava o fato de um católico não poder estar metido em um partido que “ajudou a criar, no Brasil, o ensino leigo, a economia leiga, a moral leiga, dentro do Estado liberal”, Estado este que declarou ser “um inimigo declarado da ordem espiritual, da ordem sobrenatural porque construído por positivistas e maçons”. Finda as eleições, eleito em segundo turno, perde sua cadeira em detrimento às eleições suplementares que ocorreram em SP.

Na Ação Integralista Após isso, passou três anos atuando em silêncio, até filiar-se à Ação Integralista Brasileira (AIB) em fevereiro de 1937, neste movimento integrou a Câmara dos Quatrocentos e escreveu artigos para o jornal oficial do movimento, “A Offensiva” como também colaborou com outro dos principais meios doutrinários da AIB, a revista Anauê!. Um dos mais importantes artigos que escreveu foi “Uma carta aberta aos Sacerdotes de minha Pátria”, de julho de 1937, em que conclamava todos os presbíteros do Brasil a envergar a camisa-verde como um caminho necessário para “conjurar os perigos do comunismo”.

Explicou no artigo de nome “Porque me fiz Integralista” que no Integralismo encontrava uma oportunidade que, enquanto sacerdote, desejava para a sua Pátria. A oportunidade de criar “uma nova consciência cívica”, “uma nova mentalidade política, um teor de vida sempre mais cristão, um mais real e mais concreto aperfeiçoamento pessoal”, que levariam ao caminho da “remodelação social, da efetivação de grandiosos ideias e da felicidade do Brasil”. Segundo Leandro Pereira Gonçalves e Odilon Caldeira Neto, os sacerdotes integralistas eram conhecidos como “batinas-verdes” e eram militantes ativos das hostes do Sigma.

Após o banimento da AIB, rapidamente filiou-se à Associação Brasileira de Cultura (ABC), sociedade civil, cultural e beneficente fundada por Plínio Salgado para ser a nova representação do Integralismo no cenário do Estado Novo. Na breve existência dessa organização, atuou como membro do conselho consultivo.

Fim de vida e legado Foi professor de Direito Público na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de S. Paulo, onde conheceu e teve certa inimizade inicial com Fernando de Azevedo, que muitos àquela época consideravam “subversivo”. Apesar dessa desconfiança inicial, Azevedo declarou em artigo póstumo que Leopoldo “não perdia oportunidade de referir-se” ao seu nome e à sua obra com uma “calorosa simpatia”, afirmando que quando aberta uma vaga na Academia Brasileira de Letras (ABL), era sempre o nome de Fernando de Azevedo que ele apontava aos acadêmicos.

Faleceu em 13 de junho de 1969 em Petrópolis. Em ocasião do seu falecimento, Adonias Filho e Cândido Motta Filho pediram que fosse consignado em ata um voto de pesar pelo seu desaparecimento, na Academia Brasileira de Letras. Obras publicadas

O encanto de Teresa de Lisieux (1931).

Traduções

“Introdução à Medicina do Espírito” (1935), de Maurice de Fleury, pela Livraria José Olímpio Editora;

“Pensamentos” (1951), de Blaise Pascal, pela Livraria José Olímpio Editora;

“Memórias de Lutero” (1951), de Jules Michelet, pela Livraria José Olímpio Editora;

“Da Graça e da Humanidade de Jesus” (1968), de Jacques Maritain, pela Livraria AGIR Editora.

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