O Dia Internacional dos Afrodescendentes é comemorado em 31 de agosto desde 2021. Foi declarado pela Organização das Nações Unidas, por meio da resolução 75/170, de 16 de dezembro de 2020, após uma proposta apresentada pela vice-presidente da Costa Rica, Epsy Campbell Barr, por intermédio da Missão Permanente da Costa Rica em Nova Iorque.
História Em agosto de 1920, foi realizada em Nova Iorque a Primeira Convenção Internacional dos Povos Negros do Mundo e, como resultado das discussões, conduzidas por Marcus Garvey com milhares de delegados de diferentes países, foi adotada a “Declaração dos Direitos dos Povos Negros do Mundo”.
O artigo 53 dessa Declaração proclamou o dia 31 de agosto de cada ano como um dia internacional para celebrar os povos negros. Uma data que, no entanto, nunca havia sido adotada por nenhum órgão internacional.
Por isso, a vice-presidente da Costa Rica, Epsy Campbell Barr, que é a primeira mulher afrodescendente a ser eleita pelo voto popular para ocupar esse cargo no continente americano, anunciou a apresentação da iniciativa em um vídeo divulgado por diversos meios de comunicação.
Segundo a vice-presidente Campbell, a intenção ao proclamar o Dia Internacional dos Afrodescendentes era fazer justiça às suas lutas, esperanças e resistências, trazendo à tona esse marco em um contexto de crescente mobilização pela justiça racial, igualdade e inclusão de milhões de pessoas sob o lema Black Lives Matter.
Processo de negociação A Missão Permanente da Costa Rica junto às Nações Unidas em Nova Iorque apresentou, em 4 de novembro de 2020, o projeto de resolução à Terceira Comissão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. Inicialmente, o texto contava apenas com o copatrocínio de Antígua e Barbuda, Belize, El Salvador, Guatemala, Honduras, Panamá e Peru, pelo que foram intensificadas as sessões de diálogo e negociações com as demais delegações.
thumb|A vice-presidente da Costa Rica, Epsy Campbell, ao lado do presidente Carlos Alvarado Quesada. (Foto: 2019).|321x321px Apenas algumas semanas depois, em 19 de novembro de 2020, o embaixador Rodrigo Alberto Carazo Zeledón proferiu um discurso perante o fórum para apresentar o projeto. Surpreendentemente, a resolução conquistou o copatrocínio de mais de 50 países de todas as regiões do mundo: Angola, Antígua e Barbuda, Argentina, Armênia, Bahamas, Belize, Bélgica, Bolívia, Brasil, Cabo Verde, Canadá, Colômbia, Costa Rica, Costa do Marfim, Cuba, Equador, El Salvador, Gâmbia, Gabão, Granada, Guatemala, Guiné, Guiné Equatorial, Guiana, Honduras, Índia, Jamaica, Quênia, Mali, Malta, México, Marrocos, Moçambique, Namíbia, Nigéria, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, República Dominicana, Tanzânia, Rússia, Santa Lúcia, São Tomé e Príncipe, Senegal, Serra Leoa, Suriname, Timor-Leste, Tunísia, Uganda, Ucrânia e Venezuela.
Após a resolução ter sido aprovada por aclamação, a delegação dos Estados Unidos foi a única a usar da palavra para se dissociar do quinto parágrafo do preâmbulo do projeto de resolução A/C.3/75/L.51/REV.1.
Esse parágrafo faz referência à resolução 43/1 do Conselho de Direitos Humanos, de 19 de junho de 2020, por ocasião do assassinato de George Floyd, na qual o Conselho condenou veementemente “a persistência, entre as forças de segurança, de práticas violentas e discriminatórias de caráter racista e o uso excessivo da força contra africanos e afrodescendentes”. Além disso, criticou o racismo estrutural do sistema de justiça penal em todo o mundo. Essa resolução foi contestada pelo governo do presidente Donald Trump, por meio do secretário de Estado, Mike Pompeo.
A inclusão dessa referência no projeto de resolução para declarar o Dia Internacional dos Afrodescendentes incomodou os Estados Unidos. Embora não tenha se oposto à aprovação do texto na Terceira Comissão, o país também não figurou entre os copatrocinadores.
Em 16 de dezembro de 2020, o projeto de resolução, que havia sido previamente aprovado pela Terceira Comissão, foi apresentado ao plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas, onde foi aprovado por aclamação.
O ano de 2021 foi o primeiro em que se celebrou o Dia Internacional dos Afrodescendentes.
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