A frivolidade estratégica na política externa define decisões políticas de curto alcance que não estão conectadas aos interesses de longo prazo do país que as toma. Henry Kissinger usou o termo em seu livro Ordem Mundial (2014) ao descrever as políticas que causaram a Primeira Guerra Mundial, destacando que "a história pune a frivolidade estratégica mais cedo ou mais tarde".
Exemplos Kissinger já havia introduzido a noção de frivolidade em seu livro Diplomacia (1994), ao descrever as ações de estadistas na segunda metade do século XIX que acabaram por levar à Primeira Guerra Mundial. Em particular, ele destacou as ações de Napoleão III, que considerava a política externa da França como "um instrumento que ele usa para assegurar seu domínio na França", nas palavras do Barão de Hübner. "A frivolidade é uma indulgência dispendiosa para um estadista", e Napoleão rapidamente se viu preso nas crises que ele próprio fabricou sem pensar nas consequências de longo prazo; após antagonizar a Rússia ao se juntar à Guerra da Crimeia em 1853 e apoiar o Levante Polonês em 1863, ele não encontrou apoio contra a assertividade alemã já em 1864, durante a Segunda Guerra de Schleswig. O controle sobre os arranjos de poder na Alemanha, desfrutado pela França por séculos (desde o Cordeal Richelieu), foi perdido em um piscar de olhos.
Em Ordem Mundial, Kissinger descreve como as resoluções diplomáticas da Primeira Crise de Marrocos, da Segunda Crise de Marrocos e da Crise Bósnia criaram a impressão de que assumir riscos para apaziguar jornalistas de inclinação nacionalista e um público agitado era uma forma normal de conduzir a política externa. Os estadistas acostumaram-se a pressionar outras grandes potências em questões de interesse secundário, contando com os diplomagas para encontrar maneiras de evitar guerras reais. O status quo europeu geral era, na verdade, aceitável para todas as grandes potências (não havia disputas territoriais na Europa, com exceção da Alsácia-Lorena), mas bastaram apenas duas semanas entre o ultimato de 10 pontos da Áustria-Hungria à Sérvia e o início das hostilidades. A Europa nunca se recuperou dessa indulgência.
Na política russa A expressão, no sentido atribuído por Kissinger, foi adotada por especialistas políticos russos no final da década de 2010. Foi utilizada para comparar a situação da Europa no início do século XXI com aquela anterior à Segunda Guerra dos Trinta Anos (1914–1945) e para descrever as ações de grandes potências baseadas na premissa de que uma guerra global seria impossível. Nessa visão de mundo, todos os participantes, incluindo a Rússia, parecem dispostos a assumir riscos de longo prazo de guerras em escalada contínua para obter resultados táticos de curto prazo, pois grandes guerras são "erroneamente percebidas como impensáveis", com a Rússia participando do jogo porque as solicitações para levar seus interesses em consideração são ignoradas de outra forma.
Especialistas e o público na Rússia ficam perplexos com posicionamentos aparentemente aleatórios sobre política externa adotados pela União Europeia e pelos Estados Unidos. Em sua opinião, a União Europeia não parece aceitar uma ligação de causa e efeito entre o apoio à Primavera Árabe e a crise migratória na Europa de 2015.
Cientistas políticos como Timofei Bordachev supõem que esse estado de coisas persistirá por muito tempo, pois percebem os Estados Unidos como incapazes de aceitar qualquer mudança na ordem global que não pareça uma vitória inquestionável. Eles esperam que o problema da frivolidade se agrave e recomendam que a China e a Rússia se preparem para os piores cenários possíveis decorrentes da postura de frivolidade estratégica de seus rivais geopolíticos.
Referências
Fontes
Categoria:Teoria das relações internacionais