Maomé ibne Maslama (; c. –) foi um dos companheiros de Maomé, pertencente aos aucitas de Medina. Convertido ao Islã antes da Hégira, participou de quase todas as campanhas conduzidas por Maomé e de diversas expedições, entre elas as dirigidas contra Cabe ibne Alaxerafe e . Sua atuação militar valeu-lhe o epíteto de "cavaleiro do Profeta" (fāris nabiyy Allāh). Durante os califados de Abu Becre , Omar e Otomão , desempenhou funções relacionadas à fiscalização de governadores e administradores. Após o assassinato de Otomão, reconheceu Ali como califa, mas recusou-se a participar da Primeira Guerra Civil Islâmica, retirando-se da vida política durante o conflito. Também foi conhecido como tradicionalista, jurista e escriba de Maomé. Morreu em Medina, provavelmente em 43 A.H. (663), embora as fontes preservem outras datas para sua morte.

Vida

Maomé nasceu em Iatrebe cerca de 35 anos antes da Hégira. Seu pai, Maslama, pertencia aos aucitas, enquanto sua mãe, Culaida, era dos cazerajitas. Esteve entre os primeiros habitantes de Medina a aceitar o Islã por intermédio de Muçabe ibne Omeir. Depois da Hégira, Maomé estabeleceu um vínculo de fraternidade entre ele e Abu Ubaida ibne Aljarrá. Ibne Maslama permaneceu estreitamente ligado ao profeta e participou de todas as suas campanhas, com exceção da Expedição de Tabuque. Na Batalha de Uude, quando os muçulmanos se encontravam em situação difícil, protegeu Maomé juntamente com seus filhos, utilizando o próprio corpo como escudo. Também esteve entre aqueles encarregados de protegê-lo durante a Expedição de Hudaibia e a Batalha de Caibar. Durante a Expedição de Tabuque, permaneceu em Medina como representante de Maomé. Antes da campanha, colocou ainda parte de seus bens à disposição do profeta. Sua participação no planejamento e na execução de numerosas campanhas e expedições e a reputação adquirida em combate fizeram com que se tornasse conhecido pelo título de "cavaleiro do Profeta" (fāris nabiyy Allāh).

Em 14 de Rabi Alual de 3 A.H. (4 de setembro de 624), Ibne Maslama participou do grupo responsável pela morte do poeta judeu Cabe ibne Alaxerafe, conhecido por sua oposição a Maomé. Também esteve entre os participantes da morte de . Em 11 de Moarrão de 6 A.H. (2 de junho de 627), recebeu o comando de trinta homens enviados contra , situada a sete dias de viagem de Medina. Ainda naquele ano, durante Rabi Atani, foi enviado com dez homens contra os Banu Talaba ibne Sade, que viviam em , a cerca de 24 milhas de Medina. O grupo encontrou durante a noite cerca de cem homens armados e, após algumas horas de combate, os adversários retiraram-se acreditando ter matado todos os muçulmanos. Ibne Maslama, porém, sobreviveu ferido e conseguiu regressar a Medina. Durante os califados de Abu Becre , Omar e Otomão , foi incumbido de fiscalizar a atuação de governadores e outros administradores. Durante o califado de Omar, surgiram reclamações de que o governador de Cufa, Sade ibne Abi Uacas, havia construído para si um palácio e utilizado nele uma porta retirada do palácio dos xainxás sassânidas em Ctesifonte. Omar enviou Ibne Maslama, acompanhado por uma delegação, para incendiar o edifício. Depois de executar a ordem, retornou a Medina.

Após o assassinato de Otomão, Ibne Maslama esteve entre os companheiros de Maomé que reconheceram Ali como califa. Com o início da Primeira Guerra Civil Islâmica, contudo, retirou-se para a aldeia de , situada a cerca de três milhas de Medina, e recusou-se a participar tanto da Batalha do Camelo como da Batalha de Sifim. Quando o visitou e sugeriu que permanecesse entre as pessoas para orientá-las, justificou seu afastamento recordando uma instrução que atribuía ao profeta: Maomé lhe teria dado uma espada e ordenado que combatesse com ela, mas, caso os muçulmanos passassem a combater uns aos outros, deveria quebrá-la e retirar-se para sua casa. afirmava igualmente que Ibne Maslama não seria atingido pelas discórdias civis. Ibne Maslama morreu em Medina em Sáfar de 43 A.H. (maio de 663). Outras tradições situam sua morte em 46 ou 47 A.H. (666–667), e existe ainda um relato segundo o qual teria sido morto em sua própria casa por um homem proveniente da Jordânia. A oração fúnebre foi conduzida pelo governador de Medina, Maruane ibne Aláqueme, e Ibne Maslama foi sepultado no Cemitério de Albaqui. Teve sete esposas, dez filhos e seis filhas, sendo cinco de seus filhos considerados companheiros de Maomé. É mencionado nas fontes também como tradicionalista, jurista e escriba de Maomé, figurando ainda entre os companheiros encarregados da execução de penas capitais. Transmitiu dezesseis hádices atribuídos ao profeta. Entre aqueles que transmitiram tradições recebidas dele estavam , , , Urua ibne Azobair, Alhaçane de Baçorá, Abu Burda Alaxari e Abederramão ibne Hurmuz. Suas tradições foram incorporadas às seis principais coleções canônicas de hádice e a diversas outras compilações.

Bibliografia

Categoria:Aucitas Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Ançares Categoria:Naturais de Medina Categoria:Pessoas do Califado Ortodoxo Categoria:Pessoas do Califado Omíada Categoria:Pessoas sepultadas no Cemitério de Albaqui