Atá ibne Açaíbe (), cujo nome completo era Abu Iázide Atá ibne Açaíbe ibne Iázide Atacafi (; m. ), foi um tradicionalista e estudioso das leituras do Alcorão muçulmano da geração dos tabis, ativo em Cufa. Recebeu hádices de alguns dos companheiros de Maomé, entre eles Anas ibne Maleque e , e teve entre os estudiosos que transmitiram por sua autoridade Xuba ibne Alhajaje, Sufiane Atauri, Sufiane ibne Uiaina e Hamade ibne Zaíde.

Considerado um transmissor confiável durante a maior parte de sua atividade, Atá sofreu deterioração da memória nos últimos anos de vida, circunstância que levou os estudiosos do hádice a distinguir as tradições recebidas dele antes e depois dessa alteração. As transmissões de discípulos que o ouviram no período anterior, entre eles Xuba ibne Alhajaje, Sufiane Atauri e Hamade ibne Zaíde, continuaram a ser consideradas confiáveis, enquanto as provenientes de seu período tardio passaram a ser avaliadas com maior cautela. Seu caso tornou-se, assim, um exemplo relevante da aplicação da crítica dos transmissores à mudança da capacidade de transmissão de um mesmo tradicionalista ao longo da vida.

Vida

Atá ibne Açaíbe nasceu em Cufa, onde desenvolveu sua atividade como tradicionalista. Seu nome completo era Abu Iázide Atá ibne Açaíbe ibne Iázide Atacafi, embora o nome de seu avô também seja transmitido como Maleque ou Zaíde. Pertencia à geração dos tabis e recebeu hádices de alguns dos companheiros de Maomé, entre eles Anas ibne Maleque e . Entre seus outros mestres estiveram seu pai, Saíbe ibne Iázide, Abederramão ibne Abi Laila, Mujaíde ibne Jabre, Saíde ibne Jubair, e Ibraim Anacai. Numerosos estudiosos transmitiram hádices por sua autoridade, entre os quais Alamaxe, Ibne Juraije, Xuba ibne Alhajaje, Sufiane Atauri, Sufiane ibne Uiaina, Hamade ibne Zaíde e . Atá morreu provavelmente em 136 A.H. (753), embora também sejam mencionados os anos de 133 (750–751), 134 (751–752) e 137 A.H. (754–755).

Atá foi considerado um transmissor confiável durante a maior parte de sua atividade. Iáia ibne Maine, Amade ibne Hambal, Abu Hatime Arrazi e outros estudiosos reconheceram sua confiabilidade, e seus hádices foram incorporados às seis principais coleções canônicas. Destacou-se também pelo conhecimento das leituras do Alcorão, que recebeu de Abu Abederramão Açulami e transmitiu a estudiosos posteriores. A avaliação de suas tradições, contudo, é marcada pela deterioração de sua memória nos últimos anos de vida. Após sofrer essa perda de memória, Atá começou a confundir algumas tradições e, segundo os críticos do hádice, podia aceitar como suas transmissões que lhe fossem sugeridas ou atribuir a determinados mestres relatos que não recebera deles. Por essa razão, os estudiosos procuraram distinguir os hádices transmitidos por seus discípulos antes e depois dessa alteração. As transmissões recebidas dele no período anterior continuaram a ser consideradas confiáveis, enquanto aquelas provenientes do período posterior passaram a ser tratadas com cautela.

Essa distinção tornou particularmente importante determinar quando cada discípulo havia recebido suas tradições. As transmissões de Xuba ibne Alhajaje, Sufiane Atauri, Hamade ibne Zaíde, e outros estudiosos que o ouviram antes da deterioração de sua memória foram consideradas confiáveis. Em contrapartida, as transmissões daqueles que o ouviram posteriormente, ou cuja época de audição não podia ser determinada com segurança, eram avaliadas de maneira mais restritiva. A situação de Atá tornou-se, assim, um exemplo importante para os estudiosos do hádice na aplicação do princípio de distinguir as transmissões de um mesmo narrador segundo diferentes períodos de sua vida.

Bibliografia

Categoria:Taquifitas Categoria:Naturais de Cufa Categoria:Pessoas do Califado Omíada Categoria:Pessoas do Califado Abássida Categoria:Árabes do século VII Categoria:Árabes do século VIII Categoria:Tabis (islamismo)