Safia binte Huiai (; Medina, – Medina, 670 ou 672) foi uma das esposas de Maomé e uma das Mães dos Crentes. Filha de , um dos chefes dos nadiritas, pertencia a uma das principais tribos judaicas de Medina. Após a expulsão dos nadiritas da cidade, estabeleceu-se com sua família em Caibar, onde se casou com . Safia foi capturada durante a conquista de Caibar por Maomé em 628, na qual seu marido morreu. Segundo as fontes muçulmanas, aceitou o islã, foi libertada e casou-se com Maomé durante o retorno a Medina. Após a morte dele, permaneceu na cidade e apoiou Otomão durante o cerco que precedeu seu assassinato. Morreu em 670 ou 672 e foi sepultada no Cemitério de Albaqui. Também figura entre as transmissoras de hádice.
Vida
Safia era filha de , um dos chefes dos nadiritas, e de , que também pertencia à tribo. Nasceu em Medina, provavelmente por volta de 610. Antes de se casar com Maomé, Safia contraiu dois matrimônios. Seu primeiro marido foi , um dos chefes dos nadiritas. Depois de se separar dele, casou-se com , um comandante. Embora não tivesse filhos, adotou a cúnia Ume Iáia. Após a expulsão dos nadiritas de Medina, sua família estabeleceu-se em Caibar. Seu pai continuou a incitar os coraixitas de Meca e os curaizaítas contra os muçulmanos e foi morto durante o conflito destes últimos com Maomé. Em 7 A.H. (628), Maomé empreendeu uma campanha contra Caibar. Safia foi capturada durante a conquista do oásis, na qual seu marido foi morto, e, durante a distribuição dos cativos, foi inicialmente entregue a Dia Alcalbi, um dos companheiros de Maomé. Quando foi informado de que ela ocupava posição destacada entre os curaizaítas e nadiritas, Maomé concedeu a Dia outra cativa e reservou Safia para si. Maomé ofereceu-lhe a possibilidade de aceitar o islã e casar-se com ele ou permanecer judia e ser libertada para juntar-se à sua família.
Segundo os relatos, ela escolheu o islã. Maomé concedeu-lhe a liberdade, que constituiu seu mahr, e casou-se com ela durante o retorno de Caibar a Medina. Na manhã seguinte ao casamento, foi realizada uma refeição nupcial com as provisões disponíveis entre os companheiros. Posteriormente, Maomé destinou a Safia uma parcela das rendas de Caibar equivalente à concedida às suas outras esposas. As fontes muçulmanas relacionam ao período do casamento alguns relatos sobre a origem judaica de Safia. Quando Aixa e Háfeça afirmaram ser superiores por pertencerem à mesma linhagem de Maomé, Safia ficou entristecida, e ele teria aconselhado que respondesse: "Como podeis ser melhores do que eu, se meu marido é Maomé, meu pai é Aarão e meu tio é Moisés?". Em outra ocasião, durante uma peregrinação, o camelo de Safia adoeceu e Maomé pediu a Zainabe binte Jaxe que lhe cedesse um dos animais que possuía de sobra. Diante da resposta de Zainabe, que perguntou se deveria entregá-lo "à judia", Maomé teria deixado de visitá-la por quase três meses. Durante a última enfermidade de Maomé, Safia teria manifestado o desejo de sofrer em seu lugar, e ele repreendeu as demais esposas quando estas demonstraram desconfiança em relação à sinceridade de suas palavras.
Após a morte de Maomé, Safia continuou a residir em Medina como uma das Mães dos Crentes. Durante o califado de Otomão , permaneceu ao lado do califa quando sua residência foi sitiada. Segundo os relatos, tentou levar-lhe alimentos e, quando foi impedida, estendeu uma tábua entre sua casa e a residência de Otomão, por meio da qual continuou a enviar-lhe água e comida. Durante o califado de Omar, uma escrava de Safia acusou-a perante o califa de observar o sábado à maneira dos judeus e de continuar a manter relações com eles. A escrava posteriormente reconheceu que a acusação era falsa, e Safia concedeu-lhe a liberdade. Safia morreu em Medina no Ramadã de 50 A.H. (outubro de 670) ou, segundo outra versão, em 52 A.H. (setembro de 672). Sua oração fúnebre foi conduzida por Moáuia ibne Abi Sufiane ou por , e ela foi sepultada no Cemitério de Albaqui. Legou um terço de seus bens a um sobrinho não muçulmano. Safia figura entre as transmissoras de hádice, sendo-lhe atribuídos dez relatos. Algumas tradições relacionadas a ela serviram ainda de fundamento para questões jurídicas e comportamentais, entre elas a dispensa da circum-ambulação de despedida para a mulher menstruada e a recomendação de evitar situações que possam suscitar suspeitas.
Bibliografia
Categoria:Judeus Categoria:Árabes do século VII Categoria:Mulheres do século VII Categoria:Naturais de Medina Categoria:Esposas de Maomé Categoria:Pessoas do Califado Ortodoxo Categoria:Pessoas do Califado Omíada Categoria:Pessoas sepultadas no Cemitério de Albaqui Categoria:Nadiritas