Robert E. Zoller (Mount Vernon, 25 de janeiro de 1947 – New Paltz, 24 de janeiro de 2020) foi um astrólogo, tradutor e escritor estadunidense, ligado à retomada das técnicas da astrologia medieval a partir da década de 1980. Seu livro sobre as partes arábicas, publicado em 1980, é apontado por astrólogos como uma das primeiras obras do renascimento da astrologia tradicional nas décadas de 1980 e 1990. Participou da fundação do Project Hindsight, projeto de tradução de textos astrológicos antigos e medievais, ao lado de Robert Hand e Robert Schmidt. Ganhou projeção fora do meio astrológico por textos de 1999 e 2000 interpretados por astrólogos como uma previsão dos ataques de 11 de setembro de 2001.
Biografia Formação Zoller nasceu em Mount Vernon, no estado de Nova Iorque, em 25 de janeiro de 1947. Segundo seu próprio relato, começou a comprar livros de astrologia por volta dos 16 anos, depois de chegar ao tema pela leitura sobre mitologia, folclore e magia. Em Nova Iorque, estudou com o astrólogo Zoltan Mason, que apresentava a seus alunos a astrologia de Jean-Baptiste Morin. Segundo ele, aprendeu latim e astrologia entre os 18 e os 31 anos, período em que também começou a escrever e a traduzir. Em 1974, depois de uma consulta com Mason, voltou a estudar, aprendeu latim e formou-se em estudos medievais; na mesma época, obteve microfilmes do Liber astronomiae de Guido Bonatti e começou a traduzi-lo. De acordo com a apresentação de seu site, formou-se no Latin Institute da City University of New York e no Institute for Medieval and Renaissance Studies do City College of New York. O estudo do latim lhe permitiu ler e traduzir diretamente os astrólogos medievais.
Carreira Em 1980, publicou um livro sobre as partes arábicas, pontos calculados do mapa astral que haviam caído em desuso na astrologia ocidental desde o século XVII. A obra, reeditada em 1989 com o título The Arabic Parts in Astrology: A Lost Key to Prediction, inclui a tradução de um texto latino do século XIII de Bonatti sobre as partes e exemplos de sua aplicação na astrologia natal, horária e mundial.
No início da década de 1990, Zoller esteve entre os fundadores do Project Hindsight, com Robert Hand e Robert Schmidt, e ficou responsável pelas traduções do latim. Para o projeto, traduziu os dois primeiros tratados do Liber astronomiae de Bonatti, além das seções da obra sobre as partes e sobre a astrologia aplicada à guerra. Também traduziu o De radiis de Al-Kindi e o Liber Hermetis. Segundo seu relato, deixou o projeto menos de um ano depois do início, por divergências sobre a política editorial, e passou a ensinar astrologia medieval por conta própria.
Ao longo da vida, exerceu também outras ocupações, entre elas as de barman e gerente de livraria e, sobretudo, funções na construção civil, como operário, orçamentista, desenhista e supervisor de obras. Em 2000, escreveu que trabalhou na construção civil do fim da década de 1980 ao fim da de 1990, por necessidade financeira, sem deixar de traduzir, atender e dar palestras; em 2002, afirmou ter voltado à astrologia em tempo integral em 1991, quando o setor da construção em Nova Iorque entrou em crise.
Em 1993, lançou um curso de astrologia medieval por correspondência. Mais tarde, substituiu-o por dois cursos oferecidos pela Academy of Predictive Astrology, ligada à editora londrina New Library: um básico, que conferia um certificado, e um avançado, que conferia um diploma. O módulo introdutório do curso básico, com uma aula de orientação e quatro lições em texto e áudio, foi publicado em formato eletrônico em 2000; a primeira edição do curso de diploma saiu em 2002. Entre os que concluíram o curso estão os astrólogos Benjamin Dykes e Christopher Warnock.
Em 1996, foi um dos fundadores da seção Mid-Hudson do National Council for Geocosmic Research. Integrou conselhos editoriais como o do periódico Culture and Cosmos e deu palestras nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália, na Nova Zelândia, no Reino Unido, na Irlanda, na Alemanha, no México e na África do Sul. Em 25 de janeiro de 1998, recebeu o Southern Cross Award, concedido ao astrólogo estrangeiro que mais tivesse contribuído para a astrologia na Austrália nos dois anos anteriores.
Nuntius e o 11 de Setembro No boletim Nuntius, Zoller relacionou o eclipse solar de 11 de agosto de 1999 a um período de tensões que duraria 30 meses. Advertiu que a ameaça aos cidadãos dos Estados Unidos crescia, sobretudo na costa leste, e citou Osama bin Laden e Saddam Hussein como possíveis adversários. Também previu que a fase mais grave viria depois de agosto de 2001. Em texto incluído no seu curso de diploma, Zoller afirmou que essas previsões tinham sido publicadas em agosto de 2000 e indicavam um ataque de fundamentalistas islâmicos em solo estadunidense em setembro de 2001. Os céticos observaram que a trajetória do eclipse não passou pelos Estados Unidos e que o boletim não previu especificamente os atentados.
Em 21 de julho de 2002, Zoller recebeu o Regulus Award na categoria descoberta, pesquisa e inovação, na United Astrology Conference em Orlando. Seus textos sobre o tema foram citados pelo historiador Benson Bobrick no livro The Fated Sky (2005), e Zoller apareceu num episódio do History Channel sobre o assunto exibido em 2005, Decoding the Past: The Other Nostradamus.
Vida pessoal e morte Segundo Zoller, a doença de Parkinson que o acometeu começou no início da década de 1990. O diagnóstico foi divulgado publicamente em janeiro de 2000. Em 29 de março de 2001, casou-se com Diana Warwick em Vancouver, no Canadá, e mudou-se de Nova Jérsei para essa cidade. Era maçom do grau 32 e ex-venerável da loja Uhland. Morreu em New Paltz, no estado de Nova Iorque, em 24 de janeiro de 2020, véspera de seu 73.º aniversário.
Abordagem astrológica Zoller apresentava a astrologia medieval como herdeira da tradição hermética, ligada à alquimia e à magia, e a via como essencialmente preditiva e determinista, com pouco espaço para a psicologia. Defendia que o astrólogo lesse o mapa segundo regras fixas, de modo comparável à aplicação da gramática numa tradução, e rejeitava o recurso à intuição ou a "mensagens" como base do juízo. Considerava as técnicas medievais superiores às da astrologia grega, da babilônica e da Nova Era, mas admitia adaptá-las.
O uso dos planetas descobertos depois da Antiguidade é objeto de divergência entre seus intérpretes. Na entrevista de 1998 ao Skyscript, Zoller incluía esses planetas entre as adaptações que fazia às técnicas medievais. No curso introdutório de 2000, deixou Urano, Netuno e Plutão de fora, por não pertencerem à astrologia medieval, e declarou que deixaria a outros o ensino das inovações modernas, embora reconhecesse o valor de algumas. Repetiu a exclusão no curso de diploma de 2002. Segundo o astrólogo Anthony Louis, numa época em que parte dos tradicionalistas se recusava a considerar esses planetas, Zoller os combinava com os métodos tradicionais em seus textos e aulas. Benjamin Dykes, ex-aluno de Zoller, relatou ter aprendido com ele a dispensar os planetas exteriores e os asteroides. Louis contestou essa descrição e argumentou que a posição de Zoller sobre esses planetas mudou ao longo do tempo.
Legado O astrólogo Chris Brennan considera Zoller um dos primeiros astrólogos ocidentais modernos a aplicar na prática as técnicas da astrologia tradicional, e não só a estudá-las como curiosidade histórica. Em nota de falecimento, a Astrological Association da Grã-Bretanha afirmou que seu livro sobre as partes arábicas influenciou numerosos astrólogos.
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