Alejandro Manuel Buenrostro y Arellano (9 de maio de 1935, Cidade do México, México - 24 de agosto de 2015, Guarulhos, São Paulo, Brasil) foi um sociólogo, educador e missionário mexicano, que atuou como ativista pelo Movimento zapatista entre as décadas de 1950 e 2010. Integrou a corrente de pensamento da Teologia da libertação e participou da fundação da Frente Zapatista de Libertação Nacional. Em 2001, fundou o Projeto Xojobil com o intuito de reunir e difundir conhecimento sobre as lutas das populações indígenas do México, especialmente do estado de Chiapas.
Trajetória pessoal Nascido na capital mexicana, Alejandro Buenrostro foi criado por seus pais em um lar católico. Sua mãe tinha fortes ligações com a religião, tendo inclusive conexão com as congregações marianas. No colégio, teve contato com professores que atuavam junto a causa indígena, como um ex-combatente da Guerra Cristera, o que o influenciou a iniciar sua trajetória de luta pelas comunidades camponesas e estudar filosofia.
Tornou-se mestre em Sociologia pela Universidade Iberoamericana (UIA) e pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
No final da década de 1960, conheceu a pedagoga brasileira Maria José Rinaldi Barboza (Zezé), que se tornou sua companheira até o fim de sua vida.
Alejandro Buenrostro faleceu em agosto de 2015.
Atividade missionária Nos anos 1950, decidiu que iria trabalhar diretamente com a população indígena. Em 1961, foi para Chiapas e começou a aprender tseltal, idioma do povo maia tseltal que habita aquela região. No ano seguinte, começou a trabalhar em uma escola como professor, desde o ensino infantil até a alfabetização de adultos. Sua rotina consistia em lecionar durante a semana e visitar as comunidades tseltais da região aos finais de semana. Dessa forma, Alejandro Buenrostro construiu laços e relacionamentos com as pessoas e as famílias que viviam nos povoados, conhecendo e registrando o cotidiano dos indígenas que habitavam a divisa dos ejidos San Sebastián e San Jerônimo. alt=|miniaturadaimagem|314x314px|Alejandro Buenrostro no México em 1978. Acervo Alejandro Buenrostro/Xojobil, Centro de Memória e Pesquisa Histórica Professora Maria Rita de Almeida Toledo (EFLCH/UNIFESP). Até 1978, coordenou a Missão Jesuítica de Bachajón, no Estado de Chiapas. Durante esse período, aprofundou-se nas tradições das comunidades locais e nas suas formas de resistência cotidiana.
Nos anos 1980, realizou estudos no estado de Michoacán com cinco grupos de agricultores, o que deu origem a sua dissertação de mestrado intitulado "Alternativa, Nuevos Caminos", defendida no México em 1998. Seu objetivo foi demonstrar o protagonismo indígena e as lutas camponesas através das experiências que presenciou convivendo com as comunidades rurais.
Projeto Xojobil Em 2001, inspirados pelo movimento do Neozapatismo no México, Alejandro Buenrostro, Maria José Rinaldi Barboza e André Larsen fundaram o Projeto Xojobil, um centro de documentação e informação sobre a causa indígena e camponesa da América Latina. O projeto foi intitulado dessa forma pois, na língua tzetal, Xojobil significa arco-íris, simbolizando a ponte que pretendiam fazer de informações sobre as causas indígenas. O objetivo era fortalecer a luta pela democracia, liberdade e justiça social, além de combater a desinformação sobre o que era e o que de fato defendia o movimento zapatista, conectando as lutas do campo por autonomia mexicanas e brasileiras.
Alejandro Buenrostro participou de diversas palestras e eventos sobre o zapatismo e as lutas do estado de Chiapas pelo Brasil. Ao longo dos anos 2000, o Projeto teve duas sedes na cidade de Guarulhos. Parte do projeto consiste em uma biblioteca temática e no blog BiblioChiapas - Projeto Xojobil, que busca compartilhar informações sobre o zapatismo e os movimentos de resistência indígena e agrário latino-americanos através da internet.
Atualmente, o projeto é dirigido por André Larsen e seu acervo de documentação e biblioteca está sob salvaguarda do Centro de Memória e Pesquisa Histórica Professora Maria Rita de Almeida Toledo.
Livros publicados Em 2002, Alejandro Buenrostro publicou dois livros no Brasil, um em co-autoria com Ariovaldo Umbelino de Oliveira e com prefácio de Osvaldo Coggiola, intitulado "Chiapas: construindo a esperança", e outro com prefácio de Plínio de Arruda Sampaio, com o título "As raízes do Fenômeno Chiapas: o Já Basta da Resistência Zapatista":
Chiapas: construindo a esperança. Paz e Terra, 2002. As raízes do Fenômeno Chiapas: o Já Basta da Resistência Zapatista. Alfarrabio, 2002.
Acervo miniaturadaimagem|Fotografia de um dos álbuns de Alejandro Buenrostro. Registro de Zezé em Bachajón no ano de 1976. Acervo Alejandro Buenrostro/Xojobil, Centro de Memória e Pesquisa Histórica Professora Maria Rita de Almeida Toledo (EFLCH/UNIFESP). Parte de seu acervo foi doado e está salvaguardado no Centro de Memória e Pesquisa Histórica Professora Maria Rita de Almeida Toledo (CMPH) na Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Paulo (EFLCH) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), em Guarulhos.
O acervo Alejandro Buenrostro/Xojobil conta com documentações de múltiplos formatos, como fotografias, documentos manuscritos e impressos, livros, revistas, CD's e slides fotográficos, acumulados por Alejandro Buenrostro e pelo Projeto Xojobil ao longo dos anos de sua atuação. Como observador-participante, há registros de sua atividade missionária, de sua trajetória de vida pessoal, das lutas de movimentos de resistência indígena e camponesa, suas contribuições acadêmicas e também documentos relacionados à Frente Zapatista de Libertação Nacional e ao Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra.
Entre 2024 e 2025, foi realizada a exposição "Nacal Yo’tan, O cotidiano em Chiapas pelas lentes de Alejandro Buenrostro (1959-1981)" pelo Centro de Memória e Pesquisa Histórica, no qual foram expostas parte das fotografias que compõem o acervo deixado por Alejandro Buenrostro.
Referências
Categoria:Sociólogos do México Categoria:Missionários Categoria:Zapatismo Categoria:Chiapas Categoria:Teologia da libertação