Ali ibne Almadini (), cujo nome completo era Alboácem Ali ibne Abedalá ibne Jafar ibne Naji Açadi Almadini (; 777/8–848/9), foi um tradicionalista muçulmano, considerado uma das principais autoridades do hádice de sua geração. Natural de Baçorá, estudou com importantes tradicionalistas, entre eles Sufiane ibne Uiaina, Hamade ibne Zaíde e Abede Arrazaque Açanani, e especializou-se nas ʿilal al-ḥadīth, os defeitos capazes de comprometer a autenticidade das tradições, alcançando nesse campo uma reputação que lhe valeu a designação amīr al-muʾminīn fī al-ḥadīth ("comandante dos crentes no hádice").
Sua autoridade foi reconhecida por estudiosos como Iáia ibne Maine, Amade ibne Hambal e Albucari, que submeteu seu Sahih à apreciação de Ali antes de começar a ensiná-lo e incorporou à obra centenas de hádices transmitidos por sua autoridade. Sua reputação foi temporariamente afetada durante a mihna, quando, após ser preso e submetido a coerção, declarou aceitar a doutrina da criação do Alcorão, levando alguns tradicionalistas a romperem com ele. Apesar da controvérsia, continuou a ser geralmente considerado um transmissor confiável e posteriormente voltou a afirmar que o Alcorão não era criado.
Autor prolífico, Ali teria composto cerca de duzentas obras sobre diferentes ramos das ciências do hádice, embora apenas uma pequena parte de sua produção tenha sobrevivido. Destacou-se sobretudo por seus trabalhos sobre as ʿilal, o conhecimento dos transmissores e o jarḥ wa-taʿdīl, tendo como principal obra preservada o ʿIlal al-ḥadīth wa-maʿrifat al-rijāl. Seus escritos e ensinamentos exerceram influência sobre gerações posteriores de estudiosos do hádice, mesmo quando suas obras originais se perderam.
Vida e formação
Ali ibne Almadini nasceu em Baçorá em 161 A.H. (777–778). Seu nome completo era Alboácem Ali ibne Abedalá ibne Jafar ibne Naji Açadi Almadini. Dedicou-se desde jovem ao hádice e recebeu tradições de numerosos estudiosos de sua época, entre os quais Sufiane ibne Uiaina, Iáia ibne Saíde Alcatane, Hamade ibne Zaíde e Abede Arrazaque Açanani. A amplitude de sua formação permitiu-lhe adquirir conhecimento dos diferentes ramos das ciências do hádice, destacando-se especialmente no estudo das ʿilal al-ḥadīth, os defeitos, por vezes pouco evidentes, capazes de comprometer a autenticidade das tradições. Alguns de seus próprios mestres chegaram a transmitir hádices por sua autoridade, entre eles Sufiane ibne Uiaina. Ali tornou-se uma das principais autoridades do hádice de sua geração. Durante suas estadias em Baguedade, questões sobre as quais Iáia ibne Maine e Amade ibne Hambal divergiam eram submetidas a ele para que desse seu parecer. Sua especialização na crítica das tradições valeu-lhe a designação amīr al-muʾminīn fī al-ḥadīth ("comandante dos crentes no hádice"). Entre os estudiosos que receberam tradições por sua autoridade estiveram Albucari, Abu Hatime Arrazi, Abu Daúde Assijistani, , e .
Hádice e reputação
Ali era particularmente reconhecido por seu domínio das cadeias de transmissão, das biografias dos transmissores e das ʿilal, campo no qual se tornou uma referência para estudiosos posteriores. Sua autoridade era reconhecida por outros grandes tradicionalistas de seu tempo, que recorriam a seus conhecimentos para esclarecer problemas relacionados à autenticidade e à transmissão dos hádices. A relação com Albucari foi especialmente importante: segundo a tradição registrada pela TDV, Albucari submeteu seu Sahih à apreciação de Ali antes de começar a ensiná-lo, recebendo dele aprovação para a obra. Apesar das controvérsias que marcaram parte de sua vida, a maioria dos estudiosos do hádice continuou a considerá-lo um transmissor confiável. Anaçai atribuiu-lhe excepcional aptidão para o estudo do hádice, enquanto Albucari demonstrou sua confiança nele ao incorporar ao Sahih 303 hádices transmitidos por sua autoridade. Muslim, Abu Daúde e Anaçai também preservaram suas transmissões. considerava sua confiabilidade tão estabelecida entre os estudiosos que julgava desnecessário reunir testemunhos adicionais em seu favor. Autores xafeítas e hambalitas posteriores procuraram incluí-lo entre os representantes de suas respectivas escolas jurídicas, mas sua posição é mais adequadamente compreendida como a de uma autoridade independente do hádice, sem vinculação segura a qualquer dessas escolas.
Mihna
A reputação de Ali foi afetada por sua participação na mihna, a perseguição promovida pelo poder abássida em torno da doutrina da criação do Alcorão. Ali inicialmente sustentava que o Alcorão não era criado, mas foi preso durante oito meses e mantido com os pés acorrentados. Sob coerção e temendo pela própria vida, acabou declarando aceitar a doutrina de que o Alcorão era criado. Sua concessão provocou a reação de alguns tradicionalistas, entre os quais Amade ibne Hambal, que deixou de transmitir por sua autoridade após o episódio. Adaabi observou que há transmissões de Ali no Musnad de Amade ibne Hambal, circunstância que poderia aparentemente contradizer o rompimento entre ambos. Essas tradições, contudo, remontariam ao período anterior à mihna. Depois da controvérsia, Amade teria passado inicialmente a referir-se a Ali anonimamente como "um homem", antes de abandonar suas transmissões. A concessão feita sob coerção não levou, porém, à rejeição geral de Ali pelos estudiosos do hádice, que em sua maioria continuaram a reconhecer sua confiabilidade. As fontes registram ainda que, próximo do fim da vida, ele voltou a afirmar explicitamente que o Alcorão não era criado. Ali morreu em Samarra em 234 A.H. (848–849).
Obras
Ali foi um autor particularmente prolífico, e as fontes lhe atribuem cerca de duzentas obras dedicadas a diferentes ramos das ciências do hádice. Várias delas são consideradas entre as primeiras composições produzidas em seus respectivos campos, embora apenas uma pequena parcela tenha chegado aos tempos modernos. Sua obra mais importante é o ʿIlal al-ḥadīth wa-maʿrifat al-rijāl, dedicada aos defeitos dos hádices e ao conhecimento dos transmissores. O texto preservado, conservado em manuscrito no Palácio de Topkapı, parece resultar da reunião ou condensação de três obras distintas de Ali relacionadas às ʿilal. Entre as demais obras preservadas ou conhecidas encontram-se o Tasmiyat awlād al-ʿashara wa-ghayrihim min aṣḥāb Rasūl Allāh, relativo aos descendentes de determinados companheiros de Maomé, e um texto dedicado aos estudiosos de Baçorá que Iáia ibne Maine relacionava ao cadarismo. Também foi preservada uma coleção de respostas de Ali a questões sobre jarḥ wa-taʿdīl formuladas por . As fontes bibliográficas posteriores registram numerosos títulos de obras que não sobreviveram. enumerou treze obras suas relacionadas ao jarḥ wa-taʿdīl, enquanto lhe atribuiu 74 títulos iniciados pela palavra Akhbār. Esses trabalhos abrangiam temas como hádice, sira, biografias, lugares e cidades, países, tribos e famílias, além da história do Califado Abássida. Embora grande parte dessa produção tenha se perdido, materiais provenientes das obras de Ali foram preservados por autores posteriores que as utilizaram como fontes.
Bibliografia
Categoria:Naturais de Baçorá Categoria:Árabes do século VIII Categoria:Árabes do século IX Categoria:Pessoas do Califado Abássida