Abederramão ibne Mádi (), cujo nome completo era Abu Saíde Abederramão ibne Mádi ibne Haçane Albáceri Alambari (; –813/4), foi um tradicionalista e jurista muçulmano, considerado uma das principais autoridades do hádice de sua geração. Natural de Baçorá, estudou com importantes eruditos, entre eles Xuba ibne Alhajaje, Maleque ibne Anas, Sufiane ibne Uiaina e Sufiane Atauri, e tornou-se particularmente conhecido por seu domínio das cadeias de transmissão e pela avaliação crítica dos transmissores.

Reconhecido pela memória e pelo rigor na transmissão literal dos hádices, Abederramão teve entre os estudiosos que transmitiram por sua autoridade Amade ibne Hambal, Iáia ibne Maine, e Abedalá ibne Almubaraque. Além do hádice, destacou-se no fiqh, vinculando-se à tradição jurídica de Medina e contribuindo para a difusão das opiniões de Maleque ibne Anas em Baçorá e nas regiões vizinhas. No campo doutrinário, opôs-se aos mutazilitas e , defendendo que as questões de crença fossem fundamentadas no Alcorão e nos hádices considerados autênticos.

Vida e formação

Abederramão ibne Mádi nasceu provavelmente em Baçorá, em 135 A.H. (752). Seu nome completo era Abu Saíde Abederramão ibne Mádi ibne Haçane Albáceri Alambari. Era também conhecido pela nisba Alului, devido à sua atividade no comércio de pérolas. Iniciou sua formação pela memorização do Alcorão e pelo estudo das leituras corânicas. Inicialmente frequentava reuniões de pregadores, sobretudo as de narradores de histórias, mas, após ser aconselhado por , passou a dedicar-se ao estudo do hádice por volta dos quinze anos. Entre os estudiosos de hádice e jurisprudência com quem estudou estiveram Xuba ibne Alhajaje, Maleque ibne Anas, Sufiane ibne Uiaina e Sufiane Atauri. Por sua vez, transmitiram tradições por sua autoridade estudiosos como Amade ibne Hambal, Iáia ibne Maine, e Abedalá ibne Almubaraque.

Em 796, Abederramão estabeleceu-se em Baguedade, onde se dedicou ao ensino e à transmissão de hádices. Seus círculos de estudo alcançaram grande popularidade, e as fontes destacam sua memória, seu rigor e sua confiabilidade como tradicionalista. Embora preferisse memorizar as tradições a registrá-las por escrito, teria sido capaz de ditar de memória cerca de 20 mil hádices, número que, ainda que considerado exagerado, reflete a reputação alcançada por sua capacidade de memorização. Defendia que os hádices fossem transmitidos literalmente, preservando suas palavras, em vez de apenas seu sentido. Amade ibne Hambal considerava sua autoridade suficientemente sólida mesmo quando transmitia de um narrador desconhecido, enquanto Axafii e Ali ibne Almadini afirmavam não ter conhecido alguém comparável a ele no campo do hádice. Tornou-se particularmente reconhecido por seu conhecimento dos tradicionalistas de Baçorá, das cadeias de transmissão e das condições dos transmissores.

Jurisprudência e posições religiosas

Além de sua autoridade no hádice, Abederramão alcançou posição de destaque no fiqh. Era associado à tradição jurídica de Medina, fundamentada na suna, e desempenhou papel importante na difusão das opiniões jurídicas de Maleque ibne Anas em Baçorá e nas regiões vizinhas. Seu prestígio como jurista era tal que as fontes o consideravam uma das pessoas mais qualificadas de Baçorá para exercer o cargo de cádi. No campo doutrinário, Abederramão opôs-se às discussões promovidas pelos mutazilitas e acerca dos atributos de Deus. Defendia que as questões de crença fossem fundamentadas no Alcorão e nos hádices considerados autênticos e combateu concepções que julgava contrárias a essas fontes. Também era conhecido por sua dedicação à prática religiosa. Segundo uma tradição, recitava metade do Alcorão todas as noites, completando sua leitura a cada dois dias. Morreu em Baçorá em 198 A.H. (813–814).

Legado

Abederramão ibne Mádi foi considerado uma das principais autoridades do hádice de sua geração, sobretudo no conhecimento dos transmissores e das cadeias de transmissão. Sua reputação entre estudiosos posteriores esteve ligada tanto à precisão que lhe era atribuída na transmissão literal dos hádices quanto ao conhecimento crítico dos narradores. Sua atividade docente contribuiu para a formação de alguns dos mais importantes tradicionalistas dos séculos VIII e IX, enquanto sua atuação jurídica favoreceu a circulação das opiniões de Maleque ibne Anas no ambiente intelectual de Baçorá.

Bibliografia

Categoria:Naturais de Baçorá Categoria:Árabes do século VIII Categoria:Árabes do século IX Categoria:Pessoas do Califado Abássida